Lisboa

Rute ensina dança cigana: “O mundo todo cabe no meu estúdio”

©Carlos M. Almeida
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©Carlos M. Almeida

"Subamos ao palco porque o assunto hoje é a dança." As palavras são do fotógrafo Carlos M. Almeida e remetem para a celebração do Dia Mundial da Dança, que se assinala, anualmente, a 29 de Abril. Nas imagens está retratada a bailarina Rute Maluma, que se dedica ao ensino de dança oriental e cigana em Lisboa, de onde é natural. Rute começou a dançar praticamente desde que aprendeu a andar, disse ao fotógrafo aquando da realização das imagens. "Acho que, quando nasci, já trouxe a dança comigo. Lembro-me de passar algum tempo em casa dos meus avós, onde começava a rodopiar, sem parar, com um xaile nas mãos.” 

Rute iniciou o seu percurso na ginástica rítmica, mas foi na dança contemporânea que encontrou o palco preferencial. Hoje ensina danças do mundo, nomeadamente dança oriental, russa, cigana da Roménia, cigana do Rajastão, na Índia. "Estes são tipos de dança mais livres, mais antigos", justifica. "A ligação à vida, em si, é mais forte. As danças mais ocidentais são mais formais e mais ligadas só ao palco." E dá um exemplo. “Há um estereótipo que vemos em filmes que dita que as pessoas no ocidente reagem à tristeza com uma necessidade de desabafar, beber um copo num bar e conversar com o barman." Noutras culturas, refere, a tristeza é mais rapidamente transformada em arte, música, baile. E é essa ligação da dança com o dia-a-dia, com a emoção, com o improviso, que fascina Rute. No seu estúdio "cabe o mundo todo, todas as etnias."

Enquanto Rute dança e Carlos M. Almeida fotografa, os pensamentos da bailarina voam. O que pensa e como se sente quando dança? "Considero que seja um pouco um misto de estar absolutamente atenta à música e ao que me rodeia, mas de uma forma abstracta", tenta explicar ao fotógrafo. "No fundo é concentrarmo-nos e estarmos vivos no presente." O próprio corpo é muito importante para si porque "a dança é corpo". Mas cuidado com o espelho, que "pode ser mesmo um grande inimigo de uma bailarina", adverte. O sentimento deve reger o corpo, não o espelho. "Um bailarino não deve ser comandado por uma imagem reflectida." 

©Carlos M. Almeida
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