Fantasmas lusitanos, cordofones e rock’n’roll com Exotic Quixotic à vista

Trazer sons ancestrais para o século XXI, eis a promessa dos Lusitanian Ghosts, que começaram por ser a junção de dois músicos e hoje são um colectivo de cordofonistas de várias origens. Com um primeiro álbum (Lusitanian Ghosts) lançado em 2018, e singles como Capitularium, Let it soar, For the wicked ou All the sounds, preparam agora um segundo álbum intitulado Exotic Quixotic. Que é também o nome do seu primeiro single e videoclipe, que agora se estreia, com lançamento em todas as plataformas digitais. O novo álbum deve ser lançado em Setembro.

Nas declarações prestadas para a divulgação do novo single, Neil Leyton, músico luso-canadiano e mentor do projecto Lusitanian Ghosts, conta que tudo começou quando ele comprou uma viola amarantina e a levou para Estocolmo, onde estava radicado, oferendo-a ao seu antigo guitarrista, o sueco Micke Ghost. “Antes disso eu tinha descoberto o universo dos cordofones portugueses através do meu avô Adelino Leitão, de quem herdei dois cordofones muito curiosos que me despertaram esse interesse”.

Essa foi a génese do grupo, a que depois se foram juntando músicos como Mikael Lundin, também guitarrista, que acompanhara Neil Leyton por altura das digressões do seu álbum The Betrayal of the Self (entre 2004 e 2008); Vasco Ribeiro Casais (OMIRI), na viola braguesa; O Gajo, na viola campaniça; e Abel Beja (Primitive Reason) na viola da Terceira. É, diz Leyton, “um colectivo alargado de tocadores de cordofones que podem entrar e sair do alinhamento de Lusitanian Ghosts assim como acontece com outros grupos... nomeadamente, com Nick Cave & the Bad Seeds, os Bad Seeds não têm que ser sempre os mesmos”.

A sonoridade do grupo, ainda segundo Leyton, combina “instrumentos acústicos portugueses, nomeadamente os cordofones populares regionais, num contexto de rock’n’roll”, que ele sempre compôs e tocou. “A questão aqui é que depois do regresso a Portugal não me fez sentido voltar a compor e escrever mais do mesmo, como se estivesse em Londres, ou Toronto, ou Estocolmo.” O novo álbum envereda ainda por novos caminhos. “Tem a particularidade de termos abandonado completamente as guitarras de 6 cordas, guitarras eléctricas, acústicas, etc., que ainda usamos no primeiro disco. Neste, gravado na Alemanha, em fita, no estúdio Clouds Hill, é tudo cordofones, baixo e bateria e mesmo assim na bateria a tarola foi muitas vezes substituída pelo adufe”.

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