Estilhaçar o punk em mil pedaços na pista de dança

Shake the Foundations — Militant Funk & The Post-Punk Dancefloor é uma compilação que captura a imensa e inspiradora diversidade de um tempo. Aquele em que o punk, para ser fiel a si mesmo, procurou novos instrumentos, novos sons, novas formas de se reinventar. Um futuro anunciado.

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É daquelas pérolas que, por vezes, encontramos nesse arquivo infinito chamado internet. Num curto vídeo de cerca de dois minutos, Debbie Harry explica na tv local americana como dançar o pogo. O pogo, a dança que se tornou indissociável da iconografia punk, envolvia uma sucessão de saltos rápidos e imprevisíveis, como se tivéssemos molas presas aos sapatos, e Debbie Harry dá aos telespectadores americanos uma lição sobre como o dançar correctamente. Fala como arqueóloga a dar conta de um artefacto de tempos há muito idos. O punk já era outra coisa, já não podia ser o que fora, procurava novas formas de continuar a ser aquilo que prometera: um corte geracional profundo, a erupção de algo novo, mais real, mais democrático, verdadeiramente vivo — nas estrias do vinil, nas salas de concertos, nas ruas, nos quartos decorados com posters. Shake All Foundations, compilação em triplo CD, capta o momento em que, em Inglaterra, o punk se começou a transformar noutra(s) coisa(s).

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