Instrumento no Perseverance produz oxigénio em Marte

Por agora, foram produzidos cinco gramas de oxigénio no planeta vermelho.

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Representação do instrumento MOXIE NASA/JPL

Um instrumento a bordo do robô Perseverance, da NASA, conseguiu extrair oxigénio a partir de dióxido de carbono da fina atmosfera de Marte. Tudo aconteceu no pequeno instrumento experimental Mars Oxygen In-Situ Resource Utilization Experiment (MOXIE), anunciou a NASA em comunicado. Por agora, nesta primeira experiência foram produzidos cinco gramas de oxigénio – o equivalente a cerca de dez minutos de respiração para um astronauta. Mas ainda agora tudo começou.

O MOXIE é uma tecnologia de demonstração e a sua primeira produção de oxigénio foi “bastante modesta”. Este instrumento foi desenvolvido para gerar até dez gramas de oxigénio por hora. Espera-se que consiga extrair oxigénio, pelo menos, nove vezes ao longo de um ano marciano (quase dois anos na Terra).

“Este é um primeiro passo crítico na conversão de dióxido de carbono em oxigénio em Marte”, refere no comunicado Jim Reuter, administrador associado da Direcção de Missão de Tecnologia Espacial da NASA (STMD), que apoia o instrumento. Este trabalha através de electrólise, que usa calor extremo para separar átomos de oxigénio de moléculas de dióxido de carbono (responsável por cerca de 95% da atmosfera de Marte).

Este é apenas o início. No fundo, esta tecnologia está a preparar o caminho para que se consiga isolar e armazenar oxigénio em Marte para ajudar a fornecer energia para foguetões ou para ar respirável de astronautas.

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O instrumento MOXIE, que agora produziu oxigénio em Marte NASA/JPL

No comunicado, Michael Hecht (do Observatório do Instituto de Tecnologia do Massachusetts), destaca que tanto para os foguetões como para os astronautas o oxigénio é essencial. Para queimar o combustível, um foguetão deve ter mais oxigénio por peso. Por exemplo, para trazer quatro astronautas da superfície de Marte poderão ser necessárias cerca de sete toneladas métricas de combustível de foguetão e 25 toneladas métricas de oxigénio. Já um astronauta que viva e trabalhe na superfície marciana precisará de menos oxigénio para respirar. “Astronautas que passem um ano na superfície usarão, talvez, uma tonelada métrica entre eles”, prevê Michael Hecht.

Por sua vez, Jim Reuter faz questão de destacar: “O MOXIE ainda tem muito trabalho para fazer, mas os resultados desta tecnologia de demonstração são promissores à medida que avançamos no objectivo de um dia vermos humanos em Marte. E o oxigénio não é apenas algo que respiramos. O combustível de foguetão depende de oxigénio e os futuros exploradores dependerão da produção de combustível em Marte para conseguirem voltar a casa.”

Já Trudy Kortes, directora de tecnologias de demonstração da STMD, indica que o MOXIE “não é o primeiro instrumento a produzir oxigénio noutro mundo”. Mas acrescenta: “É a primeira tecnologia deste tipo que ajudará em futuras missões que vivem do que a terra lhes dá, ao usar elementos de um ambiente de um outro mundo”. Como transportar várias toneladas métricas de oxigénio da Terra para Marte pode ser uma tarefa árdua, levar um conversor (mesmo maior e mais poderoso do que o MOXIE) poderá ser mais económico e prático.

O robô Perseverance chegou à superfície marciana a 18 de Fevereiro. Esta segunda-feira, o pequeno helicóptero Ingenuity, que foi com o robô, fez o seu primeiro voo de teste em Marte.

O objectivo principal da missão do Perseverance em Marte é a astrobiologia, nomeadamente a procura de antigos sinais de vida microbiana. Este robô também caracterizará a geologia e o clima passado do planeta, bem como testará tecnologia para futuras explorações humanas no planeta. Espera-se que esta seja a primeira missão a recolher e armazenar rochas e rególito (poeira e fragmentos de rocha) marcianos. Seguir-se-ão missões da NASA (em colaboração com a Agência Espacial Europeia) para se enviarem sondas a Marte com o objectivo de recolher as amostras e trazê-las para a Terra para uma análise mais aprofundada. A missão do Perseverance faz parte da abordagem da NASA “Da Lua para Marte”, que inclui as missões Artemis à Lua que ajudarão a preparar a exploração humana do planeta vermelho.