Norte investe 2,3 milhões de euros na digitalização da investigação clínica

O projecto levará à criação de uma plataforma digital, que ajudará a gerir os estudos clínicos e fazer o arquivo digital dos dados.

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No Centro Clínico Académico de Braga PAULO PIMENTA

Três centros clínicos académicos de Braga e do Porto vão investir mais de 2,3 milhões de euros num projecto de digitalização da sua investigação clínica, foi anunciado esta terça-feira.

O objectivo é “pôr a região no mapa europeu e mundial” da investigação clínica, adiantou em declarações à agência Lusa Nuno Sousa, director do Centro Clínico Académico de Braga (2CA-Braga), promotor do projecto. 

“O projecto vai-nos permitir que haja maior colaboração das infra-estruturas que fazem investigação clínica no Norte de Portugal. A investigação clínica não acompanhou o crescimento da investigação biomédica fundamental, que cresceu muito nas duas últimas décadas e meia, enquanto a clínica teve um crescimento muito menos acentuado”, referiu Nuno Sousa.

O projecto, adiantou ainda, vai levar à constituição de uma plataforma digital, que “ajudará a criar a massa crítica necessária para pôr a região no mapa europeu e internacional”. Essa plataforma digital vai ser criada para gerir os estudos clínicos e fazer o arquivo digital dos dados.

Será também criada uma unidade que permita fazer as análises avançadas dos dados geridos pelos estudos clínicos. “Vai permitir uma maior colaboração das infra-estruturas que fazem investigação clínica no Norte de Portugal”, sublinhou o director do 2CA-Braga, que é uma parceria entre o Hospital de Braga e a Universidade do Minho, através da Escola de Medicina e do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde.

Denominado “CR-digital: Digitalizar a investigação clínica no Norte de Portugal”, o projecto junta ainda a Universidade do Porto (envolvendo a Faculdade de Medicina e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar) e o Centro Hospitalar do Porto.

O investimento total ascende a mais de 2,3 milhões de euros, sendo comparticipado pelo FEDER em dois milhões, e o projecto vai ser desenvolvido até finais de 2022.

O projecto inclui ainda outras instituições prestadoras de cuidados de saúde no domínio da investigação clínica, como é o caso do Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto).

“Este esforço conjunto inédito irá potenciar significativamente a capacidade da região Norte no domínio da investigação clínica, atraindo estudos promovidos pela indústria farmacêutica, do dispositivo médico e da biotecnologia, mas também aumentando a capacidade de realizar estudos clínicos robustos de iniciativa do investigador”, lê-se na proposta.