Líder da distrital e militantes do PSD-Leiria contestam escolha do candidato à câmara

A direcção nacional do PSD escolheu Álvaro Madureira como candidato à câmara de Leiria mas o nome não foi votado na distrital

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Rui Rio validou o candidato autárquico para a câmara de Leiria Nelson Garrido

Mais de uma centena de militantes e simpatizantes da concelhia do PSD de Leiria discordam da escolha de Álvaro Madureira, actual vereador, para candidato à câmara daquela cidade. A posição contra a escolha da direcção nacional do PSD é assumida numa carta tornada pública e é corroborada pelo líder da distrital de Leiria, Rui Rocha.

Álvaro Madureira é líder da concelhia e foi o nome escolhido pela direcção de Rui Rio para ser candidato à Câmara de Leiria, apesar de não ter sido sequer votado pela distrital. Já no ano passado, Rui Rocha tinha apelado à direcção do partido para se tentar encontrar um nome consensual e uma candidatura forte.Se após a reflexão se entendeu que não haveria uma solução local deveria ser uma figura nacional. Tudo menos Álvaro Madureira”, afirmou ao PÚBLICO Rui Rocha.

Na carta de contestação ao nome de Álvaro Madureira (que foi apoiante de Rui Rio nas directas do partido), os sociais-democratas consideram que a escolha do actual vereador para cabeça de lista “constitui um péssimo serviço ao PSD e a Leiria, quer porque tal pessoa não reúne as características mínimas para dignificar uma candidatura do PSD, quer porque o seu passado revela que não tem qualquer noção do que seja serviço público, quer, ainda, porque é o melhor serviço que se poderia prestar ao PS”.

Assumindo que se trata de uma “lamentável escolha”, os 132 militantes e simpatizantes declaram-se indisponíveis para apoiar a Álvaro Madureira, eleito vereador em 2017 na lista liderada por Fernando Costa. “É impossível ficar indiferente perante esta lamentável escolha, que não serve os interesses do PSD e acima de tudo de Leiria e do seu concelho”, lê-se na carta.

Rui Rocha, que foi apoiante de Rui Rio em 2018 mas que acabou por sair da comissão política nacional em ruptura com o líder do partido um ano e meio depois, assume “desânimo e desilusão” com o nome escolhido pela direcção nacional tendo em conta também a situação local do PS: o candidato socialista Gonçalo Lopes irá pela primeira vez a votos nas próximas autárquicas depois da saída de Raul Castro da presidência da câmara para ser cabeça de lista às legislativas do PS em 2019.

Essa circunstância local também é referida pelos sociais-democratas. “Foi ignorada a fragilidade da candidatura socialista e as reservas que suscita em largos sectores da comunidade. Uma candidatura social-democrata forte, prestigiada junto da comunidade e com um programa claro de desenvolvimento do concelho — que contrastasse com o ‘pão e circo’ socialista suscitaria certamente a adesão de largos sectores da sociedade leiriense podendo, quiçá, almejar a vitória: difícil mas possível”, de acordo com a carta.