Presidente guineense avisa: “Quem tentar golpe de Estado será morto”

Embaló acusa “um grupo de bandidos” de tentar desestabilizar a Guiné-Bissau e deixa o alerta para a liderança do PAIGC, sem a nomear: “Vou deixar a cobra entrar, mas vou actuar no momento oportuno”.

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Umaro Sissoco Embaló, Presidente da Guiné-Bissau RODRIGO ANTUNES/LUSA

O Presidente da Guiné-Bissau avisou esta sexta-feira, citando o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas​, que “quem tentar golpe de Estado será morto”, falando sobre “um grupo de bandidos que pensa que pode desestabilizar” o país.

Lamentando a agressão ao jornalista Adão Ramalho, quando cobria o regresso do líder do maior partido guineense, o PAIGC, Domingos Simões Pereira, a Bissau, depois de um ano em Portugal, Umaro Sissoco Embaló garantiu que não há “cultura de rapto” na Guiné.

“Espancamento de jornalistas é lamentável. Mas há um grupo de bandidos que pensa que pode desestabilizar este país, o que não é verdade, ninguém pode desestabilizar este país”, afirmou o chefe de Estado, citado pela agência Lusa, garantindo que se alguma coisa acontecer, ninguém vai poder sair do país.

Atacando, sem nunca nomear, a liderança do PAIGC e alguns activistas pelos direitos humanos, que têm denunciado sequestros e espancamentos de políticos e jornalistas críticos do poder, Embaló deixou o aviso: “Estou calado a ver as pessoas a fazerem teatro. Vou deixar a cobra entrar, mas vou actuar no momento oportuno.”

“​Ouvi as pessoas a virem com o velho truque [do golpe de Estado], mas as pessoas não se esqueçam do aviso do general Biagué [chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas], quem tentar golpe de Estado será morto”, disse o chefe de Estado guineense, em declarações à comunicação social no Palácio da Presidência.

“Este país está cansado de perturbações por parte de seis pessoas. A campanha eleitoral acabou. Eu sou o Presidente da Guiné-Bissau durante os próximos anos. Estão a acusar o meu segurança de ter espancado o jornalista [Adão Ramalho], esse estava comigo em Dacar”, explicou Embaló.

Como já tinha referido em outras ocasiões, o Presidente guineense voltou a reiterar: “Eu não sou homem de violência”. E lamentou que acusem o ministro do Interior, Aladge Botche Candé,​ de andar a espancar pessoas na “calada da noite”, quando as poderia deter à “luz do dia”.

“Este país está hoje num nível que não tínhamos há 20 anos. Aqui não haverá perturbação. É desta forma que perturbaram o Presidente José Mário Vaz até que ele saiu”, referiu Embaló. “Aqui não é o Senegal. Não pode existir um Sonko aqui. Temos um modus faciendi diferente do Senegal, porque a nossa democracia é diferente”, disse Embaló, referindo-se aos incidentes registados em Dacar nas últimas semanas depois da detenção de Ousmane Sonko, opositor do Presidente senegalês, Macky Sall, e muito popular entre os jovens.