Missão comercial que vai limpar lixo espacial prestes a ser lançada

Limpar o lixo espacial é uma forma de assegurar que novos satélites possam ser lançados sem o risco de existirem colisões.

Foto
Elsa-d vai "caçar" satélites que já não estejam em funcionamento Astroscale

A Elsa-d é a primeira missão comercial de demonstração a nível mundial de um sistema de remoção de lixo espacial. O seu lançamento acontecerá este sábado às 06h07 (hora de Lisboa) do cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão.

Esta missão foi criada pela empresa japonesa e britânica Astroscale e vai ser comandada Unidade Nacional do Centro de Controlo e Manutenção em Órbita (IOCC), perto de Oxford, no Reino Unido. Faz parte desta missão um pequeno satélite concebido para procurar satélites que já não sejam necessários. Depois, irá “puxá-los” para a atmosfera terrestre, onde esses satélites se irão incendiar.

Para quê remover estes satélites que já são considerados lixo? É uma questão de sustentabilidade espacial e uma forma de assegurar que novos satélites possam ser lançados sem o risco de existirem colisões, explica-se num artigo do jornal britânico The Guardian.

“Estamos a entrar numa era de constelações de satélites e alguns deles podem falhar em órbita – o que seria um problema sério”, assinalou ao site da BBC John Auburn, director-geral da Astroscale no Reino Unido. “Se falharem a baixas altitudes, irão voltar por si mesmos, mas se satélites falharem a 1200-1300 quilómetros de altitude, irão aí ficar durante séculos com o risco de se começarem a despedaçar, a colidir com outros objectos e a tornar a situação do lixo espacial muito pior.”

A Agência Espacial Europeia estima que estejam em funcionamento 3600 satélites em órbita e a Rede de Vigilância Espacial dos Estados Unidos rastreou mais de 28.000 pedaços de detritos espaciais. Também se planeia lançar mais de 10.000 satélites na próxima década.