Bailarina russa dança Lago dos Cisnes no gelo para salvar uma baía

Enfrentando temperaturas negativas, a bailarina russa Ilmira Bagautdinova dançou o Lago dos Cisnes em protesto contra a construção de um porto na popular praia da baía de Batareinaya, a oeste de São Petersburgo. “Este é um lugar único, natural e histórico.”

A bailarina Ilmira Bagautdinova trocou um dos palcos mais prestigiados da Rússia pelas águas geladas do Golfo da Finlândia, num protesto artístico contra um projecto de construção que os habitantes locais dizem ameaçar um habitat natural único.

Enfrentando temperaturas geladas, em pontas, num tutu branco, Bagautdinova filmou-se enquanto fazia arabesques e pliés nas águas frias da baía de Batareinaya, depois de ter lido relatos de que havia planos para construir um silo de cereais no local.

A bailarina do Teatro Mariinsky publicou o vídeo online, ao som da música do Lago dos Cisnes de Tchaikovsky, num gesto solidário para com os cisnes que vivem na área, na zona oeste, a cerca de 50 quilómetros de São Petersburgo.

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“Este é um lugar único, natural e histórico onde os cisnes fazem os seus ninhos na Primavera, onde famílias com filhos passam férias no Verão, onde centenas de pescadores saem para o gelo no Inverno”, escreveu no Facebook. “Tudo isto está a ser ameaçado pela destruição.”

A agência de notícia russa Tass informou, no ano passado, que a empresa Baltic Grain Terminal planeava começar a construir um porto de 35 mil milhões de dólares na baía de Batareinaya. A Sodrugestvo, um grupo agro-industrial proprietário da Baltic Grain Terminal, recusou-se a comentar. A autoridade regional de Leninegrado disse à Reuters que não tinha emitido qualquer licença de construção para aa área.

Bagautdinova apelou aos russos para assinarem uma petição online, dirigida ao Presidente Vladimir Putin, que apela a que a baía seja mantida no seu estado natural e já conta com mais de 7650 assinaturas. “Foi o meu grito para salvar um lugar surpreendente que tem um significado especial para mim”, contou a jovem de 29 anos à Reuters.

Bagautdinova disse que a sua família visitava frequentemente as praias arenosas da baía no Verão e andava lá de trenó no Inverno. “Seria óptimo se depois de ter dançado aqui, a construção parasse e pudéssemos salvar este lugar natural incrível”, disse Bagautdinova. “Mas eu não acho que seja assim tão fácil.”