Verde, amarelo, vermelho: como funciona o semáforo que controla o ritmo do desconfinamento?

Gráfico apresentado por António Costa resulta da combinação de dois indicadores epidemiológicos. “Se chegarmos à zona vermelha, temos de voltar para trás”, alertou o primeiro-ministro.

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A figura que ditará a evolução do desconfinamento Governo

Ao anunciar ao país o plano de desconfinamento para os próximos meses, o primeiro-ministro alertou prontamente os portugueses: se forem cruzadas “áreas vermelhas”, a reabertura de lojas, escolas e restaurantes poderá voltar atrás. Ou seja, apenas se Portugal mantiver um controlo efectivo da pandemia, se poderá avançar de uma fase de desconfinamento para a seguinte.

Na comunicação desta quinta-feira, um slide na apresentação do Governo foi um dos principais pontos de atenção: um rectângulo, divido a meio por um eixo vertical e outro horizontal. Na metade cimeira, um quadrado laranja e outro vermelho. Na de baixo, um verde — marcado por um “X” — e, do lado direito, outro amarelado. Cada quadrado está numerado, com um 120 à esquerda e um 1 ao centro. À primeira vista, este hieróglifo poderá não dizer muito, mas a verdade é que este rectângulo é a chave para o desconfinamento. O que significa?

Esta figura geométrica combina dois indicadores: o primeiro é a média de novos casos a cada 14 dias. O valor recomendado deve ser inferior a 120 novos casos de infecção por cada 100 mil habitantes. Para já, o país não ultrapassa este valor: de acordo com os dados revelados esta quinta-feira, Portugal registou, nas últimas duas semanas, 105 casos por 100 mil habitantes, valor que António Costa diz estar “claramente abaixo” da linha de risco. Esta média é representada no rectângulo pelo eixo vertical.

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O segundo indicador epidemiológico que compõe este gráfico é o índice de transmissibilidade do vírus — o já famoso R(t). Este indicador permite perceber quantas novas infecções derivam de um único caso de covid-19. Ou seja, se o R(t) da infecção for igual a 1, isto quer dizer que cada pessoa infectada com covid-19 transmite, em média, a infecção a pelo menos uma outra pessoa, mantendo-se nesta situação a progressão constante da infecção.

No desconfinamento programado pelo Governo, este é justamente o número limite na transmissibilidade do vírus. De acordo com os mais recentes dados, o R(t) nacional ronda os 0,78. Se é verdade que nos últimos meses este indicador sofreu uma descida considerável — chegou a estar nos 1,22 em Janeiro —, não é menos verdade que o índice de transmissibilidade tem subido nas últimas avaliações.

Conhecendo agora os indicadores em jogo, quais são os cenários possíveis neste desconfinamento?

 A zona verde

“A zona verde significa que estamos numa situação de conforto relativamente ao calendário que definimos”, começou por dizer António Costa, ao explicar de que forma será controlado o desconfinamento. De acordo com os números divulgados pelo primeiro-ministro, esta “zona verde” é o ponto em que o país actualmente se encontra, factor que permitiu iniciar o processo de desconfinamento.

Para que Portugal permaneça nesta área mais segura, a média de novos casos a cada 14 dias tem de permanecer inferior a 120 (por cada 100 mil habitantes), enquanto o R(t) está simultaneamente abaixo de 1.

 A zona amarela

O eventual problema começará na zona amarela. De acordo com Costa, a entrada nesta área problemática significará uma “paralisação” da evolução do desconfinamento, algo que poderá seriamente ferir a calendarização do processo.

Podemos entrar nesta zona amarela do gráfico de duas formas:

 A zona vermelha

A entrada nesta zona levaria a um novo encerramento de estabelecimentos e um regresso às medidas restritivas: em súmula, este será o cenário se o país entrar na parte vermelha do rectângulo. “Se chegarmos à zona vermelha, temos de voltar para trás”, resumiu António Costa enquanto detalhava o plano de desconfinamento.

Esta zona vermelha é representada pelo quadrado no topo superior direito da figura e da resulta do insucesso simultâneo nos dois indicadores definidos pelo Governo. Ou seja, se Portugal tiver um índice de transmissibilidade superior a 1, bem como uma média de novos casos a 14 dias por 100 mil habitantes superior a 120, Costa puxará o “travão de mão” do desconfinamento.

Esta quinta-feira foi apresentado o calendário de reabertura do país, um processo a “conta-gotas”, como o próprio primeiro-ministro classificou. Fique a conhecer aqui os pormenores do plano de desconfinamento. 

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