Anne Teresa de Keersmaeker entrelaçou uma espiral de movimento na música de Reich

Para o final do seu ciclo dedicado ao “Legado de Steve Reich”, o Teatro Municipal do Porto exibe na sua sala virtual, de sexta a domingo, Drumming, coreografia emblemática que Anne Teresa de Keersmaeker criou para a peça homónima de Reich.

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A bailarina portuguesa Margarida Ramalhete, de 23 anos, está a trabalhar no seu primeiro projecto com a companhia Rosas, da coreógrafa belga Anne Van Aerschot
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Anne Van Aerschot

Para a coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker, Drumming é uma das grandes obras-primas da música minimalista e da música do século XX. Lembra-se ainda com absoluta minúcia, diz ao PÚBLICO, da capa da gravação da Deutsche Grammophon com que primeiro contactou com a peça de Steve Reich no início da década de 1980. E descreve a imagem das baquetas com ponta amarela largadas sobre uma flightcase que identifica “Steve Reich & Musicians”. Pouco depois, em 1982, Keersmaeker criaria Fase, Four Movements to the Music of Steve Reich, num primeiro gesto de aproximação à música do compositor norte-americano (a partir das composições Piano Phase, Come Out, Violin Phase e Clapping Music), mas também num passo que testava a solidez da relação entre os dois criadores. “Nessa altura não me sentia ainda preparada para coreografar esta música [Drumming]”, revela em vídeo-chamada com o PÚBLICO. “Por isso, esperei até 1998, 16 anos mais tarde, até conseguir dizer ‘Vou coreografar para esta música’.”