Convite de Marcelo obriga Conselho Nacional da Juventude a escolher um novo líder

As mudanças de Marcelo Rebelo de Sousa na Casa Civil passaram a incluir 62% de mulheres e 38% de homens e baixaram a idade média de 51 para 46 anos. O convite à presidente do Conselho Nacional da Juventude obrigou a instituição a encontrar um novo líder.

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Marcelo Rebelo de Sousa remodelou as suas equipas em Belém para o seu segundo mandato Daniel Rocha

O convite feito por Marcelo Rebelo de Sousa à presidente do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), Rita Saias, para integrar a sua Casa Civil, abriu um lugar na presidência da instituição juvenil. Depois de a sua nomeação ter sido conhecida, Rita Saias apresentou a demissão e a sua associação, a Intercultura-AFS Portugal, escolheu o vogal João Pedro Videira como sucessor. A escolha de um vogal gerou desconforto em algumas da organizações que integram o CNJ e há quem fale em “sucessão dinástica”. Mas a substituição de Rita Saias cumpre as regras dos estatutos ― e não é inédita.

Os estatutos do Conselho Nacional da Juventude (uma plataforma representativa das organizações de juventude) prevêem que, “em caso de vacatura de algum lugar nos órgãos”, o membro que sai “indicará o substituto, informando a Assembleia Geral”, no prazo de 60 dias. Apenas quando este prazo é ultrapassado é que se abre um novo processo eleitoral para o lugar vago, apenas para o período em falta para completar o mandato, lê-se no documento. Em resposta ao PÚBLICO, é justamente para os estatutos que o órgão remete quaisquer as críticas à substituição de Rita Saias.

A sucessão através de nomeação já tinha acontecido noutras ocasiões. O caso mais recente aconteceu em 2019 quando Hugo Carvalho, indicado pela Federação Académica do Desporto Universitário (FADU), se demitiu da liderança do Conselho Nacional da Juventude depois de ser eleito deputado à Assembleia da República, pelo PSD.

Rita Saias assumiu a liderança do CNJ em Fevereiro de 2020. A nova consultora de Marcelo Rebelo de Sousa é licenciada em Ciência Política pelo Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa e frequenta o mestrado em Leadership, Governance and Democracy Studies no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Em 2019, Rita Saias integrou parte da equipa do secretariado executivo da Conferência Mundial de ministros responsáveis pela Juventude e Fórum da Juventude Lisboa+21. Também prestou consultoria ao Instituto Português do Desporto e Juventude.

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João Pedro Videira já assumiu a liderança do Conselho Nacional da Juventude dr

A nova cara do CNJ

Rita Saias será substituída por João Pedro Videira, de 26 anos. O jovem, natural do Porto, aproveitou a sua carta de demissão do cargo de vogal para elogiar a antecessora, argumentando que a escolha de Marcelo Rebelo de Sousa “muito deverá honrar as novas gerações e o próprio Conselho Nacional de Juventude, por se tratar do reconhecimento da agenda” que este órgão tem vindo vindo a defender em nome dos jovens, “no que diz respeito ao seu acesso aos centros de decisão, assim como da qualidade juvenil deste país”.

O novo presidente do CNJ explica que, depois de Rita Saias se demitir, a Intercultura –​ AFS Portugal falou com alguns vogais da direcção do Conselho Nacional de Juventude “para averiguar a sua disponibilidade” para o cargo. Foi “após reflexão com a FNAEESP [Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico]”, a organização juvenil pela qual João Pedro Videira foi eleito vogal da direcção do CNJ, que o novo presidente manifestou a sua “disponibilidade e compromisso” para com o projecto de liderança que a Intercultura –​ AFS Portugal havia apresentado há cerca de um ano.