Líder da oposição do Senegal libertado sob fiança

Detido na quarta-feira, Ousmane Sonko está agora sob supervisão judicial. Os seus apoiantes, que culpam o governo de Macky Sall de querer afastar o opositor, continuam a protestar nas ruas de Dacar.

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Desde que Ousmane Sonko foi detido na quarta-feira que diversos apoiantes protestam nas ruas de Dacar. ZOHRA BENSEMRA/Reuters

O líder da oposição senegalesa, Ousmane Sonko, foi libertado esta segunda-feira sob fiança, depois de ter estado em custódia policial. Enfrenta acusações de violação e perturbação da ordem pública.

A detenção de Sonko, na quarta-feira, desencadeou um cenário violento de protestos em Dacar, onde já morreram pelo menos oito pessoas, segundo dados da Amnistia Internacional. Pilhagens e confrontos agressivos com a polícia assolaram as ruas da capital nos dias que seguiram à detenção, com os apoiantes de Sonko a exigir a sua libertação, sendo que uma nova onda fora prometida para esta semana.

“Ele vai para casa, ele está livre” afirmou Etienne Ndjone, um dos advogados de Sonko, citado pela Al-Jazeera, referindo-se à condição de supervisão judicial que lhe foi atribuída. Sonko foi acusado de violação por uma massagista de um salão de beleza, mas negou o seu envolvimento no caso e viu na sua detenção uma tentativa do actual governo de Macky Sall de afastá-lo da mira política.

Sall, Presidente do Senegal desde 2012, negou no final de Fevereiro estar ligado às acusações que atingem o seu opositor, mas desde então não tem prestado mais declarações. O país já não via protestos de tal violência há anos.

Quando os últimos protestos rebentaram na quarta-feira, o porta-voz do partido de Macky Sall defendeu que eram actos “de vandalismo que têm de ser punidos”, citado pela Reuters.

Críticos consideram que há motivações políticas por trás do caso, uma vez que já nas presidenciais em 2019, nas quais Sonko ficou em terceiro, dois outros rivais de Sall sofreram incriminações semelhantes que os impediram de concorrer às eleições.

Por esta razão, muitos manifestantes que agora enchem as ruas, na sua grande maioria jovens, não só protestam contra a detenção de Sall como também contra o próprio regime actual. “Nós estaremos sempre lá para Ousmane Sonko. Dizemos não à ditadura!”, rematou um dos manifestantes desta segunda-feira à France 24.

Também Yassine Fall, o fundador do Movimento para a Defesa da Democracia do Senegal, referiu ao correspondente da Al-Jazeera que “a nossa democracia está em perigo” e que “o governo ordenou a detenção de vários jovens e do líder da oposição sem qualquer razão”.

Devido à violência das contestações, as autoridades ordenaram o fecho das escolas no país até ao dia 15 de Março como prevenção e aumentaram os agentes de segurança pública nas ruas.

Grande parte dos apoiantes de Ousmane Sonko vêem nele uma fonte de esperança para as próximas presidenciais em 2024, uma vez que estão insatisfeitos com o poder exercido por Sall e com a situação actual do país, cujas condições foram agravadas pela pandemia. Além disto, consideram que uma nova reeleição de Sall em 2024 iria contra a Constituição senegalesa.

Texto editado por Sofia Lorena