Caçadora exibe coração de girafa que matou como prenda do Dia dos Namorados

Uma caçadora da África do Sul exibiu nas redes sociais, como presente de Dia dos Namorados, o coração de uma girafa que matou numa reserva de caça. A publicação incendiou as redes sociais e está em marcha uma petição para banir a utilizadora do Facebook.

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Merelize van der Merwe, de 32 anos, é caçadora de troféus desde os cinco anos e já matou cerca de 500 animais, incluindo leões, leopardos e elefantes DR

Uma jovem caçadora publicou nas redes sociais uma fotografia a exibir o coração de uma girafa, que matou numa reserva de caça na África do Sul, e descreveu-o como o seu presente do Dia dos Namorados. A publicação gerou alguma polémica entre os seus seguidores, e já existe uma petição pública para banir a utilizadora do Facebook.

“Alguma vez se questionaram quão grande é o coração de uma girafa? Estou absolutamente perdida de amores pelo meu GRANDE presente de São Valentim”, escreveu Merelize Van Der Merwe, de 32 anos, a 14 de Fevereiro. O marido terá pagado 1500 libras (cerca de 1738 euros) para que pudesse matar uma girafa de 17 anos e extrair-lhe o coração, como prenda do Dia dos Namorados. 

A jovem, que gere uma quinta de citrinos na província de Limpopo, na África do Sul, alega que a morte de um animal velho significa que um novo poderá tomar o seu lugar e providenciar uma genética mais forte para a manada, e acredita que caçar protege vários empregos no turismo. "Em 2016, parti numa jornada para caçar uma grande girafa preta, mas nenhuma era o que procurava”, escreveu no Facebook, onde alimenta discussões acesas com activistas pelos direitos dos animais.

"Na sua página de ‘figura pública’, este monstro partilha imagens de espécies em vias de extinção que massacra. Entre elas estão girafas, elefantes e leopardos. Além disso, partilha vídeos e imagens dela coberta de sangue, de crias mortas e dela e dos seus companheiros bárbaros a cortar as vítimas”, lê-se na petição contra a jovem caçadora, que conta com mais de 12 mil assinaturas.

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Printscreen da publicação no Facebook

Merelize Van Der Merwe é caçadora de troféus desde os cinco anos e já matou cerca de 500 animais, incluindo leões, leopardos e elefantes. Ao The Mirror, disse que considera os grupos defensores dos animais uma “máfia”, e que não os respeita. “Se caçar animais for proibido, os animais vão perder valor e desaparecer. Caçar tem ajudado a recuperar imensas espécies em vias de extinção. As únicas pessoas a protegerem estes animais são os caçadores de troféus”, defende. Mark Jones, da Born Free Foundation, contrapôs ao tablóide que “a caça de troféus não é uma ferramenta de conservação, nem contribui com fundos significativos para as comunidades locais”.

Também Elisa Allen, da PETA (a sigla em inglês para Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), reagiu à situação no mesmo artigo: “Alguém que mata outro ser senciente, retira-lhe o coração e gaba-se sobre o sucedido encaixa na definição de sociopata. Um dia, a caça de troféus será listada como um sinal de um transtorno psiquiátrico, como deveria ser hoje. É grandiosidade, assassinato em série e sede de sangue, combinados com um desejo ardente de se exibir.”