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Sem Carnaval no Rio, eles mascaram-se para ficar em casa

"É triste, mas é necessário. É um mal temporário necessário. Dói, mas é transitório", explica a professora Juliana Motta, 34 anos. REUTERS/Ricardo Moraes
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"É triste, mas é necessário. É um mal temporário necessário. Dói, mas é transitório", explica a professora Juliana Motta, 34 anos. REUTERS/Ricardo Moraes

Saudade. As autoridades do Rio de Janeiro cancelaram o Carnaval pela primeira vez em 109 anos, deixando Anilson Costa, folião da festa anual do grupo Céu na Terra, a caminhar sozinho, mascarado e de máscara, ao longo do bairro de Santa Teresa, onde as celebrações costumam encher as ruas do Rio de Janeiro. Com um macacão florido, Anilson distribuiu flores, para marcar a data que se estenderia de 12 a 17 de Fevereiro. 

​“É triste, mas é necessário. É um mal temporário necessário. Dói, mas é transitório, resume a professora Juliana Motta, de 34 anos, fotografada pela Reuters no quarto, com o disfarce alienígena que usaria nos desfiles. A actriz Dandara Machado Abreu, 32, está a ter mais dificuldades em aceitar a inevitabilidade da suspensão da festa que junta milhares de pessoas, a dançarem todas juntas. ​“Na verdade, ainda não aceitei que não vamos ter o Carnaval, acho que é tão triste, todo este processo, a pandemia. Tudo a culminar em não termos Carnaval, torna a tristeza ainda maior, diz, num disfarce dourado que vestiu para estar no sofá. 

​O Carnaval é quando ​“se esquecem todos os problemas, diz a arquitecta Helena Schmidt, 37 anos,​ que fala agora numa ​“tristeza sem fim.​“Perdemos a felicidade que temos para aguentar durante o resto do ano. Sem o Carnaval perdemos a beleza, o lado infantil das pessoas, lamenta.

Para Giulia Tucci e o marido, Marcelo Azevedo, o Carnaval não é só brincadeira. É assunto sério. ​“Carnaval para mim significa resistência e alegria, e as pessoas que ocupam as ruas durante as celebrações carnavalescas também participam no movimento de resistência política, mas este ano é necessário não ter estas celebrações e a verdadeira resistência é evitar estas ocupações de rua e estar em casa, diz Tucci. 

Os brasileiros decidiram que a festa vai acontecer — mas não nas ruas. ​“É um momento de aprendizagem que precisamos de viver. Não estamos a celebrar o Carnaval agora, mas vamos festejar em casa, respeitando os protocolos de segurança sanitária e preparando-nos para voltar ao próximo carnaval com a felicidade habitual”, garante Marcus Vinicius Araújo.

A actriz Dandara Machado Abreu, 32, está a ter mais dificuldades em aceitar a suspensão da festa que junta milhares de pessoas, a dançarem todas juntas.
A actriz Dandara Machado Abreu, 32, está a ter mais dificuldades em aceitar a suspensão da festa que junta milhares de pessoas, a dançarem todas juntas. REUTERS/Ricardo Moraes
"Acho que é tão triste, todo este processo, a pandemia. Tudo a culminar em não termos Carnaval, torna a tristeza ainda maior", diz, num disfarce dourado que vestiu para estar no sofá.
"Acho que é tão triste, todo este processo, a pandemia. Tudo a culminar em não termos Carnaval, torna a tristeza ainda maior", diz, num disfarce dourado que vestiu para estar no sofá. REUTERS/Ricardo Moraes
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Anilson Costa, folião da festa anual do grupo Céu na Terra, caminha sozinho, mascarado e com máscara, ao longo do bairro de Santa Teresa
Anilson Costa, folião da festa anual do grupo Céu na Terra, caminha sozinho, mascarado e com máscara, ao longo do bairro de Santa Teresa REUTERS/Pilar Olivares
As autoridades do Rio de Janeiro cancelaram o Carnaval pela primeira vez em 109 anos
As autoridades do Rio de Janeiro cancelaram o Carnaval pela primeira vez em 109 anos REUTERS/Pilar Olivares
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Um carro alegórico de Carnaval é retratado no complexo de armazéns da Cidade do Samba, onde as Escolas de Samba do Rio de Janeiro preparam os seus carros alegóricos e disfarces
Um carro alegórico de Carnaval é retratado no complexo de armazéns da Cidade do Samba, onde as Escolas de Samba do Rio de Janeiro preparam os seus carros alegóricos e disfarces REUTERS/Ricardo Moraes
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"Este ano a verdadeira resistência é evitar estas ocupações de rua e estar em casa”, diz Giulia Tucci.
"Este ano a verdadeira resistência é evitar estas ocupações de rua e estar em casa”, diz Giulia Tucci. REUTERS/Ricardo Moraes
A professora fotografada pela Reuters no quarto, com o disfarce alienígena que usaria nos desfiles.
A professora fotografada pela Reuters no quarto, com o disfarce alienígena que usaria nos desfiles. REUTERS/Ricardo Moraes
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"Perdemos a felicidade que temos para aguentar durante o resto do ano. Sem o Carnaval perdemos a beleza, o lado infantil das pessoas", lamenta a arquitecta Helena Schmidt.
"Perdemos a felicidade que temos para aguentar durante o resto do ano. Sem o Carnaval perdemos a beleza, o lado infantil das pessoas", lamenta a arquitecta Helena Schmidt. REUTERS/Ricardo Moraes
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"Não estamos a celebrar o Carnaval agora, mas vamos festejar em casa, respeitando os protocolos de segurança sanitária e preparando-nos para voltar ao próximo Carnaval com a felicidade habitual", garante Marcus Vinicius Araújo, 25.
"Não estamos a celebrar o Carnaval agora, mas vamos festejar em casa, respeitando os protocolos de segurança sanitária e preparando-nos para voltar ao próximo Carnaval com a felicidade habitual", garante Marcus Vinicius Araújo, 25. REUTERS/Ricardo Moraes
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"A cidade vai experimentar uma forma diferente de viver sem o Carnaval, que é tão invulgar para uma cidade como o Rio de Janeiro", disse André Basto, 35 anos
"A cidade vai experimentar uma forma diferente de viver sem o Carnaval, que é tão invulgar para uma cidade como o Rio de Janeiro", disse André Basto, 35 anos REUTERS/Ricardo Moraes
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