Ribeiro e Castro acusa Portas de “comandar” conselho nacional do CDS

Antigo líder do partido pede “tranquilidade” até ao próximo congresso, que se deverá realizar no início de 2022.

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José Ribeiro e Castro sustenta diz que "há um grupo de pessoas que não aceita os resultados" do último congresso Andreia Carvalho

José Ribeiro e Castro, que liderou o CDS entre 2005 e 2007, acusou o antigo vice-primeiro-ministro Paulo Portas de estar por detrás do conselho nacional do passado fim-de-semana em que Adolfo Mesquita Nunes e outros ex-dirigentes pediram a demissão da actual direcção do partido e um congresso extraordinário antecipado.

“[Foi] Um conselho nacional comandado por Paulo Portas pessoalmente. Tive notícia directa disso e é muito perturbador”, afirmou em entrevista ao Jornal Económico. Questionado sobre se é uma acusação que está a lançar, o antigo líder respondeu tratar-se de uma “constatação”. “Ele continua, omnipresente, a orientar algumas pessoas. Não é a primeira vez que acontece”, acrescentou. 

José Ribeiro e Castro, que perdeu a liderança para Paulo Portas na sequência de uma luta interna e de um congresso antecipado, considera que as movimentações no partido nos últimos tempos acontecem porque “há um grupo de pessoas que não aceita os resultados” da eleição do actual líder. “É um trotskismo à direita! Quando perde um congresso quer logo outro. E assim sucessivamente. Francisco Rodrigues dos Santos tem vivido debaixo de pressão e sob desafio permanente. São circunstâncias muito difíceis face a pessoas que estiveram antes na direcção do CDS e agora estão sempre contra. Seria bom que dessem tranquilidade até ao próximo congresso”, afirmou, reiterando que a actual direcção deve cumprir o mandato até ao fim.

Questionado sobre a apreciação que faz da actual direcção, José Ribeiro e Castro considera que “tem muita gente nova” embora “em algumas áreas com limitações e falta de experiência”. “O pior é o grupo parlamentar hostil. Esse afastamento está muito agudizado e causa danos à imagem do partido. Projecta o CDS como um saco de gatos”, acrescentou.

Todos os cinco deputados, incluindo o líder parlamentar Telmo Correia, defenderam um congresso extraordinário antecipado e uma mudança na liderança do partido. A iniciativa foi lançada por Adolfo Mesquita Nunes, vice-presidente na anterior direcção e antigo secretário de Estado no Governo PSD/CDS, que se assumiu como candidato a líder na mesma semana em que foi tornada pública a demissão de três elementos da direcção de Francisco Rodrigues dos Santos. O líder do partido convocou um conselho nacional extraordinário e apresentou uma moção de confiança que foi aprovada por 54,4% dos votos.

Paulo Portas saiu da liderança do partido em Dezembro de 2015, tornando-se consultor empresarial e docente universitário. Desde então participou em iniciativas partidárias muito pontuais. O grupo de apoiantes de Adolfo Mesquita Nunes neste desafio à liderança, entre os quais estão Nuno Melo, João Almeida, Helder Amaral, é conotado com a ala ‘portista’ do partido.