Em Fafe, direcção do PS dá aval a candidatura de independente que Costa expulsou do partido

Presidente da assembleia municipal queixa-se de ter sido alvo de um “saneamento político” por ter ficado fora do entendimento e promete uma posição para os próximos dias.

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Desta vez Raul Cunha vai ser candidato à Asssmebleia Municipal de Fafe LUSA/Hugo Delgado

O independente Antero Barbosa, que a liderança de António Costa expulsou do PS por ter concorrido contra o partido nas últimas autárquicas, vai liderar a candidatura socialista à Câmara de Fafe nas eleições locais de Outubro. A escolha de Antero Barbosa, vereador na autarquia, foi feita pela estrutura concelhia na sequência de um acordo político desenhado para juntar numa única candidatura a família socialista do concelho, desavinda há mais de duas décadas e meia.

Subscrito em Dezembro entre a comissão política concelhia do PS e os movimentos independentes Fafe Sempre e Independentes por Fafe, o acordo foi homologado pela direcção nacional e a sua assinatura determinou a extinção dos dois movimentos políticos saídos da família socialista fafense.

Há quatro anos, Antero Barbosa foi o nome que a concelhia votou para liderar a lista do PS a Fafe, mas a escolha seria vetada pela direcção nacional que impôs Raul Cunha. Zangado com o PS, Antero Barbosa acabaria por liderar uma candidatura pelo movimento independente Fafe Sempre e quase ganhou a câmara, faltaram 171 votos. Nessas eleições, os independentes conquistaram a presidência da assembleia municipal numa candidatura encabeçada por José Ribeiro, ex-presidente da câmara.

A candidatura contra o PS valeu a Barbosa um processo disciplinar que levou à sua expulsão do partido, juntamente com mais oito dezenas de militantes. Agora o PS nacional dá o aval à sua candidatura à câmara que quase ganhou em 2017. No âmbito do acordo político, o presidente do município, Raul Cunha, renuncia a um segundo mandato, assumindo a candidatura à assembleia municipal.

Quem ficou de fora deste acordo foi José Ribeiro que se queixa de ser alvo de um “saneamento político”. O afastamento do presidente da assembleia municipal não põe em causa o entendimento alcançado, mas pode dificultar o processo ao PS se entender avançar com uma candidatura, colocando uma pedra no sapato da tão desejada pacificação interna, uma vez que o propósito do acordo era dar um sinal à direcção nacional de que o partido estava unido.

Afirmando que tem tido “solicitações de todos os quadrantes políticos” para se candidatar à Câmara de Fafe”, José Ribeiro promete desenterrar o machado de guerra ao revelar que nos próximos dias tornará pública a sua opinião sobre o caso. Não será em conferência de imprensa devido à pandemia, mas garante que vai responder a todas as questões.

Quem já reagiu à decisão de não evolver o líder da assembleia municipal no acordo foi o vice-presidente da Câmara de Fafe, Parcídio Summavielle, que defende que “deste entendimento deveria fazer também parte o dr. José Ribeiro”. O autarca, que há quatro anos concorreu contra o PS pelo movimento Independentes por Fafe, garantiu à Fafe TV que nas reuniões em que participou com vista ao acordo para as autárquicas “nunca” lhe pareceu haver “qualquer intenção de deixar José Ribeiro de fora”.