Escolas ainda não encerraram, mas 25% dos alunos já não foram esta quinta-feira às aulas

Estimativa é dos directores escolares que, a par dos pais, lembram que fecho dos estabelecimentos de ensino não resolve todos os problemas da pandemia.

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rui gaudencio

O Conselho de Ministros da manhã desta quinta-feira deve decidir encerrar todos os estabelecimentos de ensino e, na iminência de um novo confinamento, há muitos encarregados de educação que decidiram não enviar os alunos para as escolas. O fenómeno tem crescido ao longo dos últimos dias e, nesta quinta-feira, há menos 20% a 25% de estudantes nas aulas, segundo os directores. Os professores estão a usar o dia para preparar a transição para o ensino à distância.

Os últimos dias “têm feito lembrar a semana de 9 de Março”, que antecedeu a decisão do primeiro confinamento, diz Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), com “cada vez menos alunos” nas aulas, à medida que vêm subindo de tom os pedidos de encerramento das escolas, face ao agravamento da pandemia.

Mas esta quinta-feira é mesmo o dia em que se registam mais faltas entre os estudantes. “Já tinha sido assim em Março, na véspera da ordem de encerramento”, recorda Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE). Os directores estimam que entre 20% a 25% dos alunos não tenham ido às escolas, uma decisão tomada pelos pais face às notícias que dão conta do encerramento iminente de todos os estabelecimentos de ensino já a partir de sexta-feira. À Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) também “têm chegado exemplos de algumas famílias que entendem que já não faz sentido levar filhos às aulas”, conta ao PÚBLICO o presidente daquela estrutura, Jorge Ascenção.

Estas faltas “não são problemáticas” do ponto de vista das aprendizagens, uma vez que o dia está a ser usado pelos professores “para preparar a transição para casa”, adianta Manuel Pereira da ANDE. Entre a confirmação das disponibilidades tecnológicas de cada aluno e a marcação dos horários das aulas online nas próximas semanas, os professores fazem um esforço para recordar algumas das regras do ensino à distância que os alunos já conheceram no ano lectivo passado, contam os directores.

Mudar o calendário

Os directores das escolas, que sempre se mostraram contrários ao encerramento das escolas – na linha do que o primeiro-ministro e o próprio ministro da Educação foram também defendendo publicamente – estão conformados com a necessidade de encerramento, face à evolução da pandemia.

No entanto, Filinto Lima, da ANDAEP, defende que o país deve ter consciência de que o fecho dos estabelecimentos de ensino não vai resolver todos os problemas da evolução da pandemia. “Nos últimos dias, criou-se uma falsa esperança de que, fechando as escolas, começam a aparecer resultados”, comenta. “Mas continuo a ver muita gente na rua e não são só os pais que vêm trazer os meninos à escola.” O ambiente dos últimos dias “gerou uma associação entre a evolução da pandemia e a abertura das escolas”, diz, por seu lado, Jorge Ascenção da Confap. “Mas isso não corresponde à verdade. As escolas continuaram a ser dos lugares mais seguros.”

A Confap, que sempre se pronunciou contra o encerramento das escolas, fez entretanto chegar ao Ministério da Educação o seu plano para mitigar os efeitos adversos do encerramento das escolas. As associações de pais consideram que a experiência do ano passado mostrou que o ensino à distância “não é eficaz” e, por isso, propõe alterações ao calendário escolar. O encerramento das escolas nas próximas semanas deve ser considerado como tempo de férias, antecipando os dias de paragem previstos para o Carnaval (15 a 17 de Fevereiro) e “pelo menos parte” das férias de Páscoa, prevista para o período entre 24 de Março e 5 de Abril.