Quem está a fazer crescer novos casos? A população entre os 20 e os 29 anos, diz Costa

O primeiro-ministro esteve esta noite de quinta-feira no Jornal das 8, na TVI, onde defendeu a estratégia adoptada no Natal e afirmou que as empresas portugueses estão a ser “mais resilientes” do que o esperado. António Costa também falou da vacinação e afirmou que a aplicação da segunda dose aos primeiros vacinados começará na próxima semana.

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António Costa diz que vacinação está a correr como o previsto LUSA/ANTÓNIO COTRIM

O primeiro-ministro afirmou, nesta quinta-feira, em entrevista à TVI, que é a faixa etária entre os 20 e os 29 anos a responsável pelo crescimento de novos casos. Um dia depois de ter anunciado novas medidas de confinamento, e a poucas horas de as mesmas começarem, António Costa reforçou a ideia de que as escolas, que, ao contrário do confinamento de 2020, vão continuar abertas, são um local seguro.

António Costa defendeu a decisão de manter as escolas abertas, justificando que essa foi uma “discussão acesa entre dois cientistas”, referindo-se aos especialistas ouvidos no Infarmed. “É fácil para quem não está ao volante dar palpites”, atira o primeiro-ministro. O primeiro-ministro argumentou que é impensável “destruir uma geração” e afectá-la “dois anos lectivos na sua aprendizagem”. Costa considerou ainda que “é injusto dizer que as escolas não se prepararam” e garante que houve meses de preparação para que este ano lectivo arrancasse com ensino presencial.

“A interrupção do ensino presencial teve um custo”, recordou Costa, acrescentando que "quando a covid-19 passar, haverá um país para continuar”. “Quando se fecha um estabelecimento e possível compensar perdas, já a perda de um processo de aprendizagem não tem compensação”, contrapôs. António Costa insistiu que “as escolas são um lugar seguro” e vinca que não têm existido surtos nas escolas. Sobre as opiniões contraditórias respondeu: “Há especialistas para todos os gostos”.

No entanto, o primeiro-ministro admitiu também que poderá recuar na decisão de manter as escolas abertas, vincando que sempre disse que responderia “consoante fosse necessário". “Eu sempre disse que não tinha vergonha de recuar”, lembrou.

"Queremos pôr a bazuca europeia a disparar"

António Costa elogiou o extraordinário “esforço das empresas”, apesar de reconhecer que muitos contratos a prazo foram atingidos pelo impacto da crise e que as perspectivas não são animadoras para os próximos meses. “Ou enfrentamos com sucesso em conjunto ou ninguém se safa sozinho”, avisou. O primeiro-ministro detalhou ainda que se estima que o PIB de 2020 tinha caído 15 mil milhões de euros, acrescentando que o conjunto de medidas de apoio às empresas e às famílias soma 22,9 mil milhões de euros. “A raiz da crise não está na economia, está na saúde”, notou. E “antes de 2022 não regressaremos ao ponto em que estávamos em 2019”, avisou.

Quanto à resposta à crise, Costa disse que um dos objectivos para a presidência europeia portuguesa será “pôr a disparar” a bazuca europeia, referindo-se aos fundos comunitários que Bruxelas distribuirá aos estados-membros para que possam responder à crise económica provocada pela covid-19.

Excepções não devem ser regra

Dado o exemplo de que as lojas de ferragens continuam abertas, António Costa insistiu que as excepções não podem ser lidas como regra. Respondendo a como será feita a fiscalização, o primeiro-ministro foi peremptório: “A polícia, em regra, tem bom olho para saber quem está a aldrabar e quem está de boa-fé”, acredita. “A regra é ficar em casa, sair é excepção”, repetiu. “Sempre que cumprimos as regras e que nos confinamos mesmo, há um efeito”, vincou.

Sobre a possibilidade de avançar para a vacinação de professores, uma vez que as escolas continuarão abertas, António Costa responde que são “os técnicos" e especialistas que têm de estabelecer esses critérios. O primeiro-ministro afirma que o processo de vacinação decorre com normalidade e que na próxima semana já arranca a segunda dose das vacinas. Quanto à vacinação dos responsáveis altos cargos políticos, António Costa admite que poderá ser discutido quando “se chegar ao grupo dos serviços essenciais”. Mas novamente ressalva que será uma avaliação feita pelos especialistas.

Na entrevista desta quinta-feira, António Costa voltou a falar em “quebrar radicalmente a curva” de forma a reduzir o número de casos diários e repetiu que o confinamento deverá durar pelo menos um mês. “Vamos estar neste regime seguramente um mês”, considera o primeiro-ministro. “Temos de ir modelando estas medidas”, disse, lembrando que “o custo para o país vai ser enorme”.