Em 2020, o planeta continuou a mudar: estas imagens da NASA mostram o antes e depois

A pandemia provocou um alívio momentâneo nas emissões de carbono, mas os fenómenos extremos não pararam de acontecer. Desde inundações e secas a incêndios e erupções, a NASA mostra, em fotografias por satélite, o que mudou em 2020.

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2020 ficará para sempre marcado como o ano da pandemia. Mas enquanto a covid-19 mudava o mundo — e as nossas atenções se viravam para ela —, o planeta continuou a sofrer alterações. Algumas, como a redução da produção de carbono, significaram um alívio. Mas nem todas foram assim: a NASA divulgou imagens de satélite que mostram alguns fenómenos extremos que abalaram a Terra como inundações e secas, incêndios ou erupções. As fotografias mostram o antes e depois de locais afectados por estas catástrofes — ou que beneficiaram de um mundo fechado em casa. 

A imagem de 2015 do rio James, na Dakota do Sul, mostra curso de água numa “Primavera típica"; já a de 2020 revela-o a transbordar pelas margens. Desde 2019, esta e outras porções do rio têm estado com níveis altos de inundação. Neste caso, o gelo está representado por azul claro, e a água por azul-escuro. 

Inundações do Rio James, Dakota do Sul

O rio Vermelho inundou solos da Dakota do Norte e Minnesota. O derretimento da Primavera deu origem a um Outono e Inverno anormalmente húmidos. O rio viaja para norte, em direcção ao Canadá, e a superfície onde o rio escoa foi, outrora, casa do lago glacial Agassiz. Agora, é uma paisagem plana. 

Inundações no Rio Vermelho

O rio James não foi o único a transbordar. Em Fevereiro de 2020, o rio Mississípi estava perto (ou acima) do nível de inundação em zonas como Arcansas, Tennessee, Mississípi e Luisiana, devido a fortes chuvas na região. Estas fotografias foram captadas antes e durante as cheias.

Inundações no Rio Mississípi

Outro fenómeno atípico fotografado pelos satélites da NASA foi o deserto de sal na Namíbia que, como mostra a primeira imagem, captada em 2019, costuma ser um local seco. Mas, quando ocorrem chuvas abundantes, como aconteceu em Dezembro de 2019, o deserto torna-se num oásis, como mostra a imagem de 2020. Nas imagens, o verde corresponde a vegetação e a água surge a azul.

Água enche o deserto de sal de Etosha, na Namíbia

Também vítima da seca é o reservatório de água El Yeso, em Santiago, no Chile. Se, em 2016 (a primeira imagem), tinha 219 milhões de metros cúbicos de água, em 2020 perdeu mais de metade do seu volume. Tem agora 99 milhões de metros cúbicos. A seca tem assolado o Chile há mais de uma década.

Seca diminui a reserva El Yeso, no Chile

De um lado, em 2019, uma porção do rio Tigre antes da barragem de Ilisu Dam impedir o fluxo. Do outro, em 2020, a barragem com um reservatório com cerca de um quarto da sua capacidade. Espera-se que a barragem hidroeléctrica gere 1,200 megawatts. Mas quando a reserva deixar de ter capacidade, a cidade de Hasankeyf irá ficar quase completamente submersa. E apesar de todos os residentes e algumas estruturas históricas se terem mudado, há muitos artefactos culturais que poderão desaparecer. Afinal, esta foi casa de mais de 20 culturas ao longo de 12 mil anos.

A barragem de Ilisu, na Turquia, atinge reservas históricas por causa de cheias

A 12 de Janeiro de 2020, o vulcão Taal, na ilha Luzon, nas Filipinas, entrou em erupção. Nas semanas que se seguiram, cinzas transformaram a paisagem verde numa paisagem castanha. Quando secaram, tornaram-se numa espécie de cimento que danificou a vegetação da ilha.

Cinzas do vulcão Taal, nas Filipinas, cobrem a ilha de Luzon

Também nas Ilhas Aleutas, no Alasca, um vulcão entrou em erupção. A imagem de 2020 (a segunda) mostra a erupção que espalhou cinzas por oito quilómetros em direcção ao céu. 

As chuvas apagam os fogos e causam inundações em Nova Gales do Sul, na Austrália

Se as chuvas torrenciais na Austrália ajudaram a combater os fogos que assolavam o país, também inundaram solos e fizeram os rios transbordar, dando origem a mares de lama nas regiões costeiras. A segunda imagem, de Fevereiro, mostra solos alagados à volta de quintas em Nova Gales do Sul. 

Monte Shishaldin, no Alasca, entra em erupção

O rio Mekong, no Sudeste Asiático, tem, normalmente, águas lamacentas e repletas de sedimentos, como mostra a primeira imagem, de 2015. Em 2020, a água ficou particularmente rasa e o seu fluxo abrandou — resultado de seca e da redução de fluxo provocada por barragens. O resultado: os sedimentos depositaram-se no fundo e voltou a haver crescimento de algas, mudando a cor das águas para azul.

Rio Mekong muda de cor

O primeiro epicentro da pandemia, Wuhan, na China, rapidamente viu as suas ruas ficarem desertas. As zonas iluminadas nestas fotografias correspondem às luzes da cidade e assinalam centros populacionais. As linhas que as unem, também iluminadas, são auto-estradas — que se tornam visíveis com as luzes de carros e camiões. Na imagem de Fevereiro de 2020, estas estradas quase desapareceram mas, assim que a cidade retomou a normalidade, aumentou também o trânsito. 

Redução do trânsito em Wuhan, China