Trump vai faltar à tomada de posse de Biden

Presidente dos EUA torna pública a sua decisão e é o quarto na História dos EUA a não estar presente na cerimónia de tomada de posse do sucessor.

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A cerimónia vai acontecer no dia 20 de Janeiro LUSA/ERIK S. LESSER

O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, anunciou que não vai comparecer à cerimónia de tomada de posse do Presidente eleito, Joe Biden, no dia 20 de Janeiro.

A informação foi avançada pelo próprio, no Twitter: “A todos os que têm perguntado, eu não vou à tomada de posse a 20 de Janeiro.”

Há muito que se antecipava a hipótese de o Presidente dos EUA faltar à tomada de posse de Biden, depois de um período pós-eleitoral muito conturbado e marcado pela sua recusa em admitir a derrota.

Não há nenhuma indicação de que o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, queira seguir o exemplo de Trump. O afastamento entre os dois responsáveis, após a recusa de Pence em não certificar a eleição de Biden – e a invasão do Capitólio, na quarta-feira – indica que o vice-presidente tem agora mais margem de manobra política para comparecer à tomada de posse.

Três exemplos

Apesar da raridade da decisão, não é a primeira vez que um Presidente dos EUA falta à tomada de posse do seu sucessor.

Em mais de 200 anos, desde os primeiros mandatos de George Washington (1789-1797), outros três presidentes decidiram faltar à consagração dos sucessores: John Adams (1801), John Quincy Adams (1829) e Andrew Johnson (1869).

Todos eles têm em comum o facto de terem perdido eleições em momentos particularmente conturbados da História do país, e Andrew Johnson partilha também com Donald Trump o facto de ter sido alvo de um impeachment.

A primeira recusa aconteceu nos primeiros anos após a independência dos EUA, quando o segundo Presidente, John Adams, se envolveu numa das eleições mais conturbadas de sempre. Foi a última em que o Presidente e o vice-presidente podiam ser de áreas completamente diferentes – o Presidente era o candidato que recebia mais votos do Colégio Eleitoral, e o vice era o segundo classificado.

Depois de um primeiro mandato, Adams foi desafiado pelo vice-presidente, Thomas Jefferson, que viria a terminar empatado com outro candidato, Aaron Burr. A decisão teve de passar pela Câmara dos Representantes, que viria a eleger Jefferson após mais de 30 votações. 

Segundo a maioria dos historiadores, John Adams pode ter decidido faltar à tomada de posse de Thomas Jefferson para ajudar a serenar os ânimos em Washington, após um período conturbado. Adams saiu da Casa Branca, de vez, às 4h de 4 de Março de 1801 – o dia oficial da tomada de posse naquela época.

Coincidência ou não, o segundo Presidente dos EUA a faltar à tomada de posse do seu sucessor foi John Quincy Adams, filho de John Adams.

Este período marca a ascensão de Andrew Jackson, um dos fundadores do Partido Democrata e o primeiro candidato que pode ser descrito, à luz dos termos actuais, como populista e anti-sistema. Em 2017, numa visita à antiga plantação de Jackson, no Tennessee, Trump salientou as comparações que foram feitas entre as eleições de ambos.

Em 1829, Jackson já tinha um passado conflituoso com John Quincy Adams. Quatro anos antes, a Câmara dos Representantes escolhera Adams para Presidente em detrimento de Jackson, que recebera mais votos, mas não os suficientes para ser eleito sem a intervenção do Congresso.

Jackson viria a vencer a eleição de 1828 sem quaisquer dúvidas, e a relação com Adams nunca seria reparada. O Presidente cessante saiu da Casa Branca na noite de 3 de Março.

A terceira e última recusa – até Donald Trump – aconteceu também no século XIX, quando Andrew Johnson chegou à Casa Branca na sequência do assassínio de Abraham Lincoln, em 1865. 

Com um mandato marcado pelos estilhaços da Guerra Civil norte-americana, Johnson viria a ser alvo de um impeachment e acabou por não ser nomeado como candidato do Partido Republicano à eleição de 1868.

Ao contrário dos dois Adams, Andrew Johnson não saiu da cidade no dia da tomada de posse do seu sucessor, Ulysses S. Grant, e ficou na Casa Branca a despachar trabalho.