Trump está a considerar anunciar candidatura para 2024 no dia da posse de Joe Biden

Fontes próximas do Presidente dos EUA disseram ainda que Donald Trump não pretende assistir à cerimónia e que pode fazer um comício a 14 de Dezembro quando a sua derrota for oficalizada pelo Colégio Eleitoral.

Foto
Donald Trump pode não assistir à cerimónia de tomada de posse de Biden Yuri Gripas/Reuters

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a ponderar a possibilidade de voltar a candidatar-se à Casa Branca em 2024. Segundo os media americanos, que deram a notícia na terça-feira à noite, Trump pode fazer o anúncio no dia 20 de Janeiro, quando toma posse o novo chefe de Estado, Joe Biden.

A ABC News diz que, se essa for a data escolhida, Trump pode faltar à tomada de posse do democrata que o derrotou nas eleições presidenciais de 3 de Novembro. A estação de televisão diz que o anúncio pode ser feito no mesmo local onde Trump anunciou a candidatura em 2016, a Trump Tower em Nova Iorque. 

Mas as televisões e a imprensa dos EUA avisam que nada está decidido. Podendo mesmo o Presidente, que ainda não reconheceu publicamente que perdeu a eleição, anunciar a candidatura no dia 14 de Dezembro, dia em que os grandes eleitores do Colégio Eleitoral votam para eleger o Presidente - nos EUA o chefe de Estado não é eleito directamente, a 3 de Novembro os eleitores escolhem os representantes de cada candidato no colégio eleitoral; Biden elegeu 306 grandes eleitores, Trump 232. 

Três fontes próximas do debate disseram à ABC News que Trump está a pensar no que fazer. E que há “planos preliminares” que apontam para um anúncio a 20 de Janeiro. Seja qual for a data escolhida, disseram as fontes, o Presidente não pretende assistir à tomada de posse de Biden no Capitólio de Washington, como é costume acontecer sempre que há uma transição.

Na História do país, só três presidentes recusaram assistir à tomada de posse dos rivais, todos eles em períodos de grande polarização política, mas também todos eles no século XIX: John Adams em 1801, John Quincy Adams em 1829 e Andrew Johnson em 1869.

As fontes disseram que, ao contrário do que é também habitual, mesmo entre rivais políticos, Trump não vai convidar Biden para a Casa Branca antes da tomada de posse. “Ou sequer telefonar-lhe”, cita a ABC News.

Já o The Daily Beast mencionou também o dia 14 de Dezembro, ou uma data muito próxima, mas acrescentando que Donald Trump pondera se faz ou não um comício na data em que o Colégio Eleitoral oficializar a vitória de Joe Biden.

A equipa de Biden que prepara a transição de poderes comentou estas notícias dizendo que as decisões de Trump não vão afectar qualquer plano.

“Foram quatro anos fantásticos. Estamos a tentar cumprir mais quatro anos. Se não for o caso, encontramo-nos daqui a quatro anos”, disse Trump na terça-feira à noite numa festa de Natal para funcionários da sua Administração e do Partido Republicano na Casa Branca.

Já em Novembro a Bloomberg tinha avançado que Donald Trump ponderava avançar para a recandidatura em 2024. Um passo que conta com o apoio de parte do Partido Republicano. 

E uma sondagem do Seven Letter Insight disse que 66% dos eleitores do partido apoiam essa recandidatura. Outra sondagem, esta da Morning Consult-Politico, disse que 54% dos eleitores republicanos votariam em Trump numa primária republicana. 

Os media americanos recordaram que só o democrata Grover Cleveland foi Presidente em dois mandatos não consecutivos - eleito Presidente em 1884 e derrotado em 1888, foi reeleito de novo em 1892.