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Pedro Varela e José Pereira revelam “a primeira geração” de activistas negros em Portugal

Pouco estava explorado e muito há ainda a descobrir sobre uma geração que entre 1911 e 1933 produziu 11 jornais, em 22 anos, e “criou” oito grupos ou associações. Antropólogo e historiador levantam o véu em artigo publicado na Revista de História da Universidade de São Paulo e falam de dois deputados negros no activo durante a I República.

Chega-se ao fim do artigo científico As origens do movimento negro em Portugal (1911-1933): uma geração pan-africanista e anti-racista, escrito para a Revista de História da Universidade de São Paulo, e fica-se com vontade de ler mais. Quem foram estas pessoas, o que fizeram a seguir a este período, que posições ocuparam depois? São perguntas para as quais não há ainda resposta. Pouco estava explorado e muito há ainda a explorar sobre este tema, afirmam os autores José Augusto Pereira, historiador, doutorando na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigador do Instituto de História Contemporânea, e Pedro Varela, antropólogo, doutorando no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. No artigo traçam o retrato até então desconhecido de um movimento cuja génese remonta a pelo menos entre 1911 e 1933. Integrado no pan-africanismo internacional da época, segundo os autores, foi um movimento que, apesar de lutar contra o racismo, tinha uma relação ambivalente com o colonialismo. Retratam uma geração que fundou vários jornais e organizações em Lisboa, mas sobre quem, até hoje, “existe um enorme silêncio historiográfico”.