Taberna do Calhau troca as horas: jantar começa às 9 da manhã e é mata-bicho

Ostra e bagaço para abrir as hostilidades. E depois... jantar. Só que neste fim-de-semana de confinamento, começa às 9h e termina às 12h30. Vai ser na Taberna do Calhau em Lisboa e é mata-bicho em mais do que um sentido.

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Leopoldo Garcia Calhau na sua Taberna do Calhau dr

E se matássemos o bicho antes que ele nos mate a nós? Um dia destes, Leopoldo Garcia Calhau foi-se deitar preocupado e acordou com uma ideia: porque não fazer um jantar mata-bicho à hora do pequeno-almoço? Pensou e pôs em prática: é exactamente isso que vai acontecer nos dias 14 e 15, o primeiro fim-de-semana em que, de acordo com as mais recentes medidas governamentais para conter a pandemia, haverá recolher obrigatório a partir das 13h.

Tal como o avô, que, conta Leopoldo, sempre bebeu um shot de bagaço de manhã, para começar o dia, os clientes da Taberna do Calhau, em Lisboa, vão acordar, sábado e domingo, com ostra e bagaço. E assim começa o jantar, marcado para as 9h da manhã e que tem que terminar até às 12h30.

Serão “uns seis ou sete pratos”, que incluem torradas ensopadas em caldo de Bulhão Pato, cabeça de carabineiro com gelado de pistácio, lombo do carabineiro com brioche e ovo – “as pessoas comem brioche e ovo ao pequeno-almoço, não é?” –, uma mini-versão da alentejaninha (uma francesinha do Sul, que é um dos pratos da Taberna), “se vierem percebes”, serão servidos com caldo de cozido e, para sobremesa”, crepes suzette e castanhas com água-pé. Tudo por 35€ (bagaço e água-pé incluídos, as restantes bebidas, não).

Leopoldo ficou muito contente com a resposta – quinta-feira já tinha os dois “jantares” praticamente esgotados e, no meio de várias queixas sérias sobre as decisões do Governo, brinca com a situação. “Não queria fazer um brunch e como sábado é o meu melhor dia de jantares, decidi que faria um jantar”. A hora, essa é a possível. É só uma questão de imaginação. “No fundo, diz, “este é um jantar temático” e não há café com leite porque não se bebe ao jantar, mas também não há lebre com feijão “porque até vamos ser bonzinhos” e se calhar para quem regressar a casa “depois do jantar ainda virá um almoço”. 

É, sobretudo, uma forma de dar a volta “a uma grande contrariedade que ninguém entende” e que prejudica enormemente os restaurantes, de “tentar salvar mais um dia” e “conseguir pagar as contas ao fim do mês”. Assim, “em vez de entrar zero, entra alguma coisa”. Até porque um projecto como a Taberna do Calhau “não muda para take-away do dia para a noite – e eu não vim para este ramo para fazer take-away”, sublinha.

Por tudo isto, este fim-de-semana na Taberna vai-se matar o bicho. E no seguinte? “Ah, isso é como o Governo, não sabemos o que acontece na semana a seguir. Não vale a pena fazer planos para duas semanas”.