Expectativa nos resultados dos estados decisivos, Trump avança para tribunais

Equipa jurídica do Presidente denuncia irregularidades no processo eleitoral do Michigan, Wisconsin, Pensilvânia, Geórgia e Nevada. Biden aproxima-se de Trump na Pensilvânia e na Geórgia.

A eleição presidencial norte-americana ainda não tem um vencedor declarado e tudo indica que o seu desfecho será decidido na meia dúzia de estados cuja contagem de votos ainda prossegue.

Depois de ter declarado vitória na noite eleitoral, com milhões de votos por contar, e de ter revelado que iria recorrer ao Supremo Tribunal para travar a contagem dos votos antecipados e por correspondência em vários estados, denunciando uma “enorme fraude”, o Presidente dos Estados Unidos já começou a mobilizar a sua equipa para algumas dessas batalhas judiciais.

A equipa de Donald Trump anunciou processos judiciais no Wisconsin, Michigan, Pensilvânia, Geórgia e Nevada. Na lista oficial de acções movidas pela sua campanha, não consta, no entanto, a Carolina do Norte, referida pelo Presidente no Twitter. 

A directora de campanha de Joe Biden, Jen O'Malley Dillon, disse que Donald Trump está “desesperado”, enquanto o candidato do Partido Democrata pediu paciência, confiante que a vitória não lhe escapa. 

O que é que é alegado pelos republicanos em cada um destes estados, quantos votos valem no Colégio Eleitoral e quais os resultados eleitorais já conhecidos?

Wisconsin

A equipa do Presidente dos EUA exige uma recontagem imediata de todos os votos no Wisconsin, um estado que equivale a dez “grandes eleitores” no Colégio Eleitoral e que, com 98% dos votos contabilizados, dá a vitória a Joe Biden, por uma margem de cerca de 20 mil votos.

Bill Stepien, director de campanha de Trump, diz que “foram reportadas irregularidades em vários condados do Wisconsin”, que “levantam dúvidas graves sobre a validade dos resultados”.

Meagan Wolfe, administradora da comissão eleitoral do estado, rejeitou, no entanto, as denúncias e, citada pelo Washington Post, garantiu que a contagem dos votos “se processou de uma forma bastante normal”.

Michigan

No estado do Michigan, que vale 16 votos no Colégio Eleitoral, a equipa jurídica do Presidente pretende que a contagem dos votos entre “em pausa”, “até ser garantido um acesso significativo” dos seus observadores ao processo, escreve o Detroit News.

Os republicanos acusam as autoridades eleitorais de terem negado o acesso a “inúmeros locais de contagem”, particularmente em Detroit, e querem que todos os votos que foram contabilizados durante o período em que foram “impedidos” de monitorizar a eleição sejam novamente abertos e registados.

Com 98% da contagem feita, Biden vai à frente de Trump, com 50,5% contra 47,9%.

Pensilvânia

É o estado mais apetecível – quem o vencer “leva” 20 votos seus para o Colégio Eleitoral – e é, também por isso, o que mais barulho promete causar nos próximos dias, caso um dos candidatos venha a depender dele para ser declarado vencedor.

Poucos dias antes da eleição, o Supremo Tribunal do estado da Pensilvânia permitiu a contagem de todos os boletins de voto por correspondência legalmente carimbados até ao dia 6 de Novembro (sexta-feira).

O processo judicial movido pela equipa de Trump pretende contrariar essa decisão, levando-a, se for possível, até ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos. 

Já foram contabilizados 93% dos votos neste estado e o Presidente (50,1%) está à frente de Joe Biden (48,7%), com os dois candidatos separados por uma diferença de apenas 79 mil votos. 

A equipa de campanha do Presidente teme que os votos por correio virem o jogo a favor dos democratas.

A secretária de estado da Pensilvânia, Kathy Boockvar, afirmou que os resultados naquele estado podem “definitivamente” ser conhecidos até ao final desta quinta-feira (madrugada de sexta-feira em Portugal continental).

Boockvar disse ainda que os votos que ainda vão chegar por correio podem não ser decisivos no resultado final. 

Geórgia

No estado da Geórgia, onde a luta eleitoral pelos 16 votos do Colégio Eleitoral está renhida, as preocupações de Trump estão centradas particularmente no círculo eleitoral de Chatham County. 

Segundo o subdirector da campanha do Presidente, Justin Clark, foram depositados 53 boletins já depois do fecho das urnas, no dia 3, que estarão misturados com outros votos lícitos.

De acordo com a Fox News, a acção apresentada pelos republicanos solicita uma investigação ao círculo eleitoral em causa e pede à Justiça estadual que acompanhe a chegada de todos os votos por correspondência às mesas de voto e que impeça que sejam contabilizados.

“Com estas acções decisivas, o Presidente Trump está a dizer a todos os americanos que vai fazer tudo o que pode para garantir a integridade desta eleição, para o bem da nação”, sublinhou Clark.

Com 98% dos votos contabilizados, Trump lidera por uma curtíssima margem de cerca de 3400 votos na Geórgia. Tem 49,4% e Biden tem 49,3%.

Gabriel Sterling, representante daquele estado, afirmou em conferência de imprensa que os votos estão a ser contados cuidadosamente e que é esperada “clareza nos resultados o mais cedo possível”, o que tanto pode ser até final do dia (madrugada em Portugal continental) como na sexta-feira.

“Eleições tão renhidas exigem que sejamos diligentes e que façamos tudo bem”, afirmou Sterling, não se comprometendo com um prazo para a divulgação dos resultados finais. “Não sabemos quanto tempo pode levar este processo”, acrescentou.

Nevada

Tido como um estado praticamente garantido pelos democratas antes das eleições, o Nevada, com os seus seis grandes eleitores no Colégio Eleitoral, tornou-se um dos estados decisivos nestas eleições e o desfecho eleitoral é aguardado com grande expectativa. 

Até ao momento foram contados 89% dos votos, com Joe Biden (49,4%) à frente de Donald Trump (48,5%) por uma margem de 12 mil votos. 

Ainda não há uma data para a divulgação do vencedor neste estado, onde vão ser contados votos por correspondência durante o fim-de-semana. 

A equipa de Donald Trump anunciou um processo judicial no estado do Nevada, denunciando a contagem de “votos ilegais”, apesar de não terem apresentado provas.

“Acreditamos que estão a ser contados votos de pessoas mortas e que foram contabilizados milhares de votos de pessoas que saíram do condado de Clark durante a pandemia”, o republicano antigo procurador-geral do Nevada Adam Laxalt, membro da campanha de Donald Trump.

Arizona 

Uma nota ainda para o Arizona, onde estão em disputa 11 grandes eleitores para o Colégio Eleitoral, cujos resultados só vão ser conhecidos na sexta-feira.

Neste momento, há órgãos de comunicação social, como a AP a Fox News, que já projectam uma vitória de Joe Biden neste estado, o que não é consensual, tendo em conta a luta renhida em curso – o candidato do Partido Democrata vai à frente com 50,5% da votação, mais dois pontos que o Presidente norte-americano.

Pouco mais de 68 mil votos separam os dois candidatos.

A directora de campanha de Joe Biden disse que está confiante na vitória do antigo vice-presidente de Barack Obama neste estado, mas admitiu que a diferença entre os dois candidatos é cada vez mais apertada.

A secretária de estado do Arizona, Katie Hobbs, disse à CBS que faltam contar cerca de 450 mil votos, e que só na sexta-feira devem ter um “bom indicador” dos resultados finais.