Distribuição teme que limitação de horários gere maiores concentrações à entrada

Primeiro-ministro não fechou a porta a ajustamentos no número de pessoas dentro dos estabelecimentos, mas em função dos números da pandemia.

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Paulo Pimenta

No dia em que os estabelecimentos comerciais de 121 concelhos têm de antecipar o encerramento para as 22h, e tendo o primeiro-ministro a poucos metros, os representantes da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), e a Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC) não resistiram a pedir para um aumente do número de pessoas que podem estar simultaneamente dentro dos estabelecimentos comerciais.

A associação que representa os super e os hipermercados admitiu mesmo que com a actual limitação de horário (durante 15 dias, sujeito a revisão) e limitação do número de estradas há o risco da concentração de pessoas no exterior, de formação de filas, o que ser mais prejudicial em termos de saúde pública que o alargamento das entradas. O responsável teme ainda que “a formação de filas possa criar algum alarmismo”, garantindo, no entanto, que “o sector está em condições de fornecer todos os produtos que o país necessita”.

Na cerimónia de lançamento da campanha Natal 2020: Planeie o seu Natal com Tempo — Compre cuidando de Todos, lançada esta quarta-feira, Gonçalo Lobo Xavier, director da APED, destacou que Portugal é o país da Europa com o rácio mais baixo de pessoas por metro quadrado em superfícies comerciais na actual conjuntura de medidas sanitárias, apelando, para evitar a formação de filas, que o número passe das actuais cinco para oito pessoas por metro quadrado.

O presidente da APCC António Sampaio de Mattos foi mais ambicioso ao dizer que o número poderia duplicar, e garantindo, tal como na distribuição, que há condições para os consumidores fazerem as suas compras “em segurança” e “salvaria” muitos postos de trabalho.

O primeiro-ministro ouviu os pedidos e não fechou a porta a mudanças, remetendo qualquer alteração aos limites ao número de pessoas ou aos horários para a evolução dos números da pandemia. António Costa admitiu que o sector do comércio tem sido um dos sectores mais afectados pela actual crise.

“Podemos dizer que em vez de cinco são seis, em vez de 10 são 10,5”, disse, reconhecendo o impacto das medidas “uma época de mais compras”. Mas logo reforçou a necessidade de evitar as aglomerações de pessoas para travar a pandemia e garantir “um Natal tão parecido quanto possível com o Natal das nossas tradições”. 

Sobre o risco de concentração de pessoas, Gonçalo Lobo Xavier dá o exemplo da limitação de venda de bebidas alcoólicas depois das 20h, actualmente em vigor, que gera uma maior afluência aos estabelecimentos antes dessa hora, gerando incómodos para os clientes e maiores dificuldades de gestão das lojas. Esta medida é contestada pela APED, que considera “não fazer sentido em todo o país”, dizendo ainda que “prejudica o sector vinícola, importante para a economia do país”.

O aumento do número de clientes por metro quadrado já esteve na agenda do Conselho de Ministros, em Setembro, mas a proposta acabou por ser rejeitada por causa da subida de casos de contágio por covid-19, e do receio de que tal medida pudesse ser entendida como um relaxamento das medidas para travar a pandemia.

Para além do patrocínio da campanha que visa incentivar os consumidores a antecipar as compras de Natal e os comerciantes a dar um prazo alargado para trocas, até 31 de Janeiro de 2021, o Governo vai aprovar amanhã novas medidas de apoio às micro, pequenas e médias empresas, o que abrange muitas empresas do comércio e serviços.

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