Listen: língua franca

Ana Rocha de Sousa estreia-se com uma primeira obra sólida, um “filme do meio” que revela savoir-faire e inteligência mas ainda pouca identidade.

ken-loach,joao-salaviza,critica,cinema,culturaipsilon,festival-veneza,
Fotogaleria
ken-loach,joao-salaviza,critica,cinema,culturaipsilon,festival-veneza,
Fotogaleria
ken-loach,joao-salaviza,critica,cinema,culturaipsilon,festival-veneza,
Fotogaleria
ken-loach,joao-salaviza,critica,cinema,culturaipsilon,festival-veneza,
Fotogaleria
,Festival de Cinema de Veneza
Fotogaleria
,Hubie Halloween
Fotogaleria
ipsilon-papel,cultura,ipsilon,critica,cinema,culturaipsilon,
Fotogaleria

Foi João Salaviza quem disse, há alguns anos, que era muito complicado um cineasta português “aparecer” do nada logo ao início com um prémio grande — significando com isto que o peso das expectativas elevadas começa a fazer pressão num momento em que nenhum cineasta entendeu por inteiro ainda ao que vem. É, de certo modo, aquilo que o Leão do Futuro obtido em Veneza por Listen vem fazer a Ana Rocha de Sousa em tempo de primeira longa-metragem: não é justo (mesmo que seja óbvio, para não dizer inevitável) usar um primeiro filme como bitola, por melhor que ele seja. Listen, ainda por cima, não é uma obra-prima, a não ser no sentido de obra-primeira: a seu favor tem um savoir-faire invejável, uma noção muito precisa do que se quer fazer, uma secura descarnada até ao osso mas que sabe acolher a ambiguidade necessária para tornar esta história humana e não apenas exemplar.