Há quase 12 mil vagas na 2.ª fase do concurso de acesso ao ensino superior

Ainda há quatro lugares por ocupar nos disputados cursos de Medicina, revelam as vagas divulgadas nesta quarta-feira. Quem já concorreu a esta 2.ª fase pode analisar a oferta que existe e alterar candidaturas. Quem não concorreu pode ainda fazê-lo. Prazo termina na sexta-feira.

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Gabriel Sousa

Dos dez cursos que tiveram as notas de entrada mais elevadas na 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público, tendo então esgotado a oferta, nove apresentam afinal vagas disponíveis para a 2.ª fase. É o caso de Engenharia Aeroespacial, do Instituto Superior Técnico (cinco vagas), ou de Engenharia e Gestão Industrial, da Faculdade de Engenharia do Porto (duas vagas). Em ambos os casos a nota do último colocado foi de 19,13 valores.

Mesmo alguns dos disputados cursos de Medicina têm ainda lugares: quatro vagas no total. A lista completa por curso e por instituição pode ser consultada aqui.

A lista das vagas sobrantes para a 2.ª fase foi divulgada nesta quarta-feira pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Há, no total, 11.698 lugares em jogo, um número semelhante ao registado no ano passado. Às 6050 que por falta de candidatos colocados tinham sobrado da 1.ª fase (cujos resultados foram conhecidos a 27 de Setembro), juntam-se agora 4952, que resultam do facto de ter havido alunos colocados que não se matricularam, e mais cerca de 700, referentes a lugares que existiam para concursos especiais e que reverteram para esta nova etapa do concurso.

Todas as instituições de ensino têm ainda espaço para receber alunos. O Instituto Politécnico de Bragança lidera com a maior oferta: 1372 vagas, nos seus vários cursos. Segue-se a Universidade de Lisboa (706 vagas), e o Politécnico de Coimbra (644). 

Até terça-feira concorreram a esta 2.ª fase 17.910 alunos. Que podem, agora, conhecida a actualização da oferta disponível feita agora pelo ministério, alterar as suas opções. Quem ainda não se candidatou também o pode fazer. O prazo termina na sexta-feira, dia 9.

Os resultados das colocações desta 2.ª fase são conhecidos a 15 de Outubro neste site: https://www.dges.gov.pt/pt. Segue-se uma 3.º fase, com as candidaturas a decorrerem entre 22 e 26 de Outubro.

A lista das vagas mostra que apesar de na 1.ª fase todos os lugares nos cursos de Medicina terem ficado preenchidos, com médias de acesso superiores a 18 valores, houve alunos que não se matricularam. Pelo que há ainda quatro lugares disponíveis: um na Universidade da Beira Interior, outro na Universidade de Coimbra, outro na do Minho e por fim uma vaga na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Ainda na área da saúde, outro curso bastante concorrido é Medicina Veterinária. Os dados do ministério mostram que há oito lugares disponíveis na Universidade de Coimbra, dois na Universidade do Porto e dois na Universidade de Lisboa. Uma vez mais porque alunos colocados acabaram por não se matricular.

Outro exemplo: Gestão. Na Universidade Nova, onde todos os 275 lugares tinham sido preenchidos, vários alunos optaram por não se matricular e há agora 30 vagas por preencher. E as três escolas de enfermagem (Coimbra, Lisboa e Porto) têm no total 68 vagas livres.

João Guerreiro, presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, diz que esta situação não é nova: todos os anos há alunos que, apesar de colocados na 1.ª fase, não se matriculam (no ano passado foram, tal como este ano, cerca de 5000). E isto acontece mesmo em cursos onde a exigência, em termos de nota de entrada, é enorme. “Pode haver várias razões, por exemplo, terem arranjado colocação numa instituição estrangeira, ou terem optado por outro curso, decidindo concorrer à 2.ª fase...”

Em comunicado, o ministério de Manuel Heitor estima que, considerando as diferentes vias de ingresso que existem, incluindo a dos cursos curtos de técnicos superiores, “o número total de novos ingressos no ensino superior em todos os ciclos de estudos, públicos e privados, atinja cerca de 95 mil novos estudantes matriculados no próximo ano lectivo de 2020/21 (enquanto foram cerca de 84 mil pessoas em 2019)”.​

Um ano “histórico”

Na 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, cujos resultados foram conhecidos a 27 de Setembro, entraram quase 51 mil candidatos, o número mais elevado de sempre. Este ano foi, de resto, excepcional a vários níveis: houve um número invulgar de candidatos ao ensino público na 1.ª fase (62.561), o maior dos últimos 24 anos, o que foi considerado um “marco histórico” pelos vários responsáveis das instituições públicas de ensino superior; o Governo decidiu aumentar o total de vagas quando o concurso nacional já estava a decorrer; houve uma percentagem elevadíssima de candidatos que conseguiu lugar à primeira (82%); e, por fim, registou-se uma subida significativa nas médias de ingresso. Como noticiou o PÚBLICO, em mais de 600 cursos a nota de entrada ficou acima do que pode ser considerado o seu valor “normal”.

Estão em jogo nesta 2.ª fase, entre outras, vagas que não foram preenchidas na 1.ª fase; vagas que foram preenchidas na 1.ª fase do concurso mas em que não se concretizou a matrícula e inscrição; e vagas libertadas em consequência de rectificações na colocação na 1.ª fase. Este ano lectivo, o Governo autorizou também as universidades e politécnicos a adicionar à oferta para a 2.ª fase as vagas dos concursos especiais que não foram preenchidas até ao final de Setembro.

Pode concorrer à 2.ª fase quem não conseguiu lugar na 1.ª, mas também quem concorreu e ficou colocado (nestes casos, os estudantes que consigam colocação na 2.ª fase vêem a sua colocação na 1.ª anulada, bem como a eventual matricula e inscrição que já tenham feito). Podem também concorrer a esta 2.ª fase os alunos que, apesar de terem condições para se candidatarem à 1.ª fase, decidiram não o fazer bem como todos os que só reuniram condições de candidatura após o fim do prazo de apresentação das candidaturas à 1.º fase.

No ano passado, na 2.ª fase, tinham sido colocadas a concurso 11.600 vagas, das quais cerca de 5000 resultantes de alunos que tendo sido colocados na 1.ª não se inscreveram. O cenário este ano foi semelhante.

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