Ana Beatriz Costa, Joana Araújo e Gonçalo Ribeiro, nas escadas do Instituto Superior Técnico, em Lisboa
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Ana Beatriz Costa, Joana Araújo e Gonçalo Ribeiro, nas escadas do Instituto Superior Técnico, em Lisboa Daniel Rocha

Com média de 20 valores, Ana, Joana e Gonçalo foram para a escolha “natural”: as engenharias no Técnico

Ana, Joana e Gonçalo acabaram o ensino secundário com uma média perfeita: 20 valores a tudo. Na hora de escolher um curso superior, atiraram a Medicina para o lado e entraram nas engenharias do Técnico.

Com a nova máscara do Técnico já posta, Ana Beatriz Costa, Joana Araújo e Gonçalo Ribeiro descem as escadas do edifício ao qual vão chamar casa nos próximos anos. Os três entraram no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, com uma média perfeita — 20 valores — nos cursos com as notas de ingresso mais elevadas do país. Se até agora o caminho foi feito com as melhores notas possíveis, o futuro é um pouco mais incerto — mas continua ambicioso.

Gonçalo, de Vila Nova de Famalicão, e Ana Beatriz, de Guimarães, entraram no mestrado integrado em Engenharia Física Tecnológica, enquanto Joana, de Santa Maria, nos Açores, entrou em Engenharia Aeroespacial. A média do último classificado nos dois cursos foi de 19,13, a mais alta no país a par do mestrado integrado em Engenharia e Gestão Industrial, na Universidade do Porto. Ter uma média de 20 a todas as disciplinas e exames é, para muitos, tarefa impossível. No ano lectivo que agora arranca, seis alunos entraram no Técnico com um registo escolar impecável e cinco na Universidade do Porto, com uma estudante a ingressar com média de 20 valores em Engenharia e Gestão Industrial. Para Gonçalo, Ana Beatriz e Joana, houve sempre alguma pressão, mas esta foi sendo colmatada com o forte apoio familiar e escolar.

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Gonçalo Ribeiro, natural de Famalicão. Daniel Rocha

“Sou perfeccionista e, quando gosto de uma coisa, levo as coisas a sério. No 10.º ano defini como meta terminar com média de 20, mas iria sempre dar o meu máximo, mesmo que não o atingisse”, recorda Joana, ao P3, admitindo que estudar por gosto ajudou. Mas sair de Santa Maria, onde todos a conheciam, causou algum transtorno. “Como venho de um meio pequeno, depois de tirar o primeiro 20 senti alguma pressão, no sentido de ter uma reputação a manter. Uma pessoa tem medo de falhar.”

Também Gonçalo Ribeiro entrou no ensino secundário com a meta de tirar as melhores notas da escala. “Sempre fiz o meu trabalho e trabalhei para os resultados. Sinto pressão porque a coloco em mim. Não olhei à pressão dos outros. Grande parte deste processo parte do próprio aluno, percebe o que é capaz e adapta-se às circunstâncias”, explica. “Em todo o percurso educativo”, enaltece, os amigos e os professores “foram exímios”.

Já Ana Beatriz admite que houve “testes desesperantes” e o 11.º ano foi complicado, mas considera-se “sortuda” por ter tido apoio durante o estudo. “Atrás da média perfeita há muito esforço, lágrimas e esforço. Mas a minha família sempre me apoiou bastante.”

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Ana Beatriz Costa, de Guimarães. Daniel Rocha

Boas condições e interesse pela Física ditaram futuro

A escolha do curso foi fácil. Com uma média tão elevada, todos os cursos do ensino superior estão disponíveis, mas os três decidiram-se por cursos semelhantes. O que os uniu foram as boas condições do Técnico e as boas perspectivas de futuro. “[No Técnico] temos sempre oportunidade para contactar com professores com reputação de nível internacional, que podem sempre oferecer ferramentas para o nosso futuro”, aponta Joana. Para Gonçalo, a escolha de Física Tecnológica no Técnico foi “natural”.

Já para Ana Beatriz, “feliz” por estar na universidade, os acordos entre a instituição e outras empresas foram um incentivo. “Há bastantes saídas e parcerias com empresas internacionais bastante conhecidas. Ir para o Técnico sempre me pareceu uma decisão acertada. E como gostava de Física e Química, foi juntar o útil ao agradável”, reflecte a jovem estudante, que sonha trabalhar na NASA ou no CERN.

Os três chegaram a ponderar Medicina, o curso que continua a ser a primeira opção para muitos alunos com boas notas. Mas rapidamente atiraram a hipótese para o lado, preferindo contribuir de outra forma. “Comecei a desenvolver mais interesse pela Física e, como não queria seguir um curso teórico, pensei que podia fazer mais com a formação que tinha para ajudar o mundo”, conta Joana. “Já que não iria seguir Medicina, iria ajudar as pessoas de alguma forma com a engenharia.”

Tanto Gonçalo como Ana Beatriz reconhecem que houve alguma pressão por parte dos pais para seguirem Medicina, mas, no final, o sonho imperou.

O estudante de Famalicão refere que o pai “queria que fosse para Medicina”, mas acredita que “ficou satisfeito com a escolha de não ser da linha da frente, mas sim de participar em projectos que possam melhorar a área da Medicina”. Já a vimaranense confessa ter sentido “um bocadinho de pressão familiar” na hora de escolher o curso, já que os dois pais são médicos, mas acabou por recolher o apoio de ambos.

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Joana Araújo, natural de Santa Maria, nos Açores Daniel Rocha

A vida além-livros é para continuar

No ano lectivo 2020/2021, não haverá praxe na Universidade de Lisboa. Além disso, as orientações da Direcção-Geral da Saúde ditam contenção na hora de conviver, pelo que a relação entre estudantes será diferente. Algo que não preocupa os jovens ouvidos pelo P3, que esperam conseguir contornar a situação.

“Temos de nos adaptar porque temos de proteger populações mais velhas”, diz Gonçalo, que lamenta que não haja praxe este ano. “Faz parte da experiência universitária. Acho que devemos estar abertos a todo o tipo de experiências, por isso seria mais uma e seria bastante cativante, pelo menos ver como era.” Ana Beatriz e Joana partilham deste sentimento, mas a estudante de Guimarães garante que a falta de praxe pode ser “colmatada”. “Se eu e os meus colegas tivermos vontade de conviver, até porque há muitas pessoas deslocadas, acho que as máscaras e o distanciamento social não vão ser impedimento para tal.”

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