Protestos no Wisconsin após homem negro ser baleado nas costas pela polícia. Guarda Nacional foi mobilizada

Foi imposto o recolher obrigatório em Kenosha, no Wisconsin, depois de confrontos entre a polícia e manifestantes. Guarda Nacional foi mobilizada pelo governador. Jacob Blake foi baleado pelas costas pela polícia e há um vídeo que mostra o momento. A vítima está em estado grave e o caso está sob investigação.

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Centenas de pessoas protestaram após Jacob Blake ter sido baleado pela polícia Reuters/Mike De Sisti
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Kenosha, Wisconsin Reuters/Mike De Sisti
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Confrontos entre polícia e manifestantes em Kenosha, Wisconsin Reuters/Mike De Sisti
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Kenosha, Wisconsin LUSA/TANNEN MAURY
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Dezenas de carros queimados em Kenosha, Wisconsin LUSA/TANNEN MAURY
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Kenosha, Wisconsin Reuters/STEPHEN MATUREN

A polícia de Kenosha, no estado norte-americano do Wisconsin, baleou um homem negro pelas costas enquanto este estava a ser detido e a entrar numa carrinha da polícia. A vítima, identificada como Jacob Blake, está internada em estado grave.

O vídeo do momento em que Jacob Blake é baleado pela polícia está a ser divulgado nas redes sociais e na imprensa norte-americana.

Segundo o Washington Post, que cita os media locais, a polícia de Kenosha foi chamada a intervir num “incidente doméstico” no domingo à tarde. Testemunhas no local dizem que Blake estaria a tentar separar pessoas envolvidas numa briga quando foi abordado pela polícia que, numa fase inicial, terá tentado usar um taser. 

De seguida, Blake foi encaminhado para o interior de uma carrinha e, assim que abriu a porta, vê-se um polícia branco a puxar a sua camisola e a disparar vários tiros, enquanto se ouvem gritos de testemunhas no local. 

A vítima foi depois levada para o Hospital de Froedtert, na cidade de Milwaukee. Segundo um familiar, foi operado e está a recuperar nos cuidados intensivos. 

A polícia de Kenosha ainda não deu qualquer justificação sobre o que aconteceu, mas revelou que o Departamento de Justiça está a investigar o casoOs polícias envolvidos no tiroteio, cujos nomes não foram revelados, estão em licença administrativa, enquanto decorrem as investigações. O departamento de investigação criminal prometeu apresentar um relatório ao procurador-geral nos próximos 30 dias. 

Ben Crump, um dos advogados da família de George Floyd, foi contactado pela família de Jacob Blake, que pediu ajuda. Segundo Crump, os três filhos de Jacob Blake estavam no interior da viatura da polícia na altura dos disparos. “Eles viram um polícia balear o seu pai. Vão ficar traumatizados para sempre. Não podemos permitir que as autoridades violem o dever de nos proteger”, escreveu Crump no Twitter.

Confrontos entre polícia e manifestantes 

Horas após o incidente, centenas de pessoas aglomeram-se junto ao local onde o homem foi baleado. A tensão aumentou depois de a polícia chegar, tendo-se registado confrontos. "Não vamos recuar”, gritaram muitos manifestantes, que convocaram mais protestos para as próximas horas.

De acordo com a Reuters, os manifestantes atiraram cocktails molotov e outros objectos contra a polícia. Nas redes sociais, há relatos de um polícia ter sido atingido na cabeça com um tijolo. Vários carros da polícia foram incendiados. As autoridades, por seu lado, utilizaram gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

Para conter os protestos, foi imposto um recolher obrigatório até às 07h locais (12h em Portugal Continental). 

O Governador do Wisconson, Tony Evers, do Partido Democrata, condenou o “uso excessivo de força” e a “escalada imediata quando estão envolvidos cidadãos negros de Wisconsin” e sublinhou que este não é o primeiro caso de violência policial contra afro-americanos.

“Embora ainda não tenhamos todos os detalhes, o que sabemos de certeza é que ele [Jacob Blake] não é o primeiro homem ou pessoa negra a ser baleado, ferido ou morto sem piedade às mãos de indivíduos das forças de segurança no nosso estado ou do nosso país”, disse Evers, no Twitter.

Horas mais tarde, o governador afirmou, em comunicado, ter mobilizado a Guarda Nacional para manter a “segurança pública” e para ajudar a polícia local. Na nota, Evers afirma que a “mobilização limitada” — feita a pedido das autoridades locais — tem como objectivo auxiliar a polícia local a aplicar a lei, ajudar a “proteger infra-estruturas críticas” (como serviços públicos e corporações de bombeiros) e garantir que as pessoas podem manifestar-se em segurança.

“Sei que pessoas em todo o estado vão fazer ouvir as suas vozes em Kenosha e nas comunidades de Wisconsin. Todas as pessoas devem ser capazes de expressar a sua raiva e frustração exercendo os direitos da Primeira Emenda ou reportar estes apelos à acção sem medo de ficarem inseguras”, disse o governador, que também convocou uma sessão legislativa especial para 31 de Agosto com o objectivo discutir um pacote de leis anunciado no início deste ano sobre a responsabilização e transparência da polícia.

A BBC escreve que cerca de 200 membros da Guarda Nacional podem ser mobilizado para a cidade.

No passado dia 25 de Maio, o afro-americano George Floyd foi assassinado às mãos de um polícia branco em Mineápolis, o que gerou uma enorme onde de protestos contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos.