Rio diz que vai ter de haver reconversão no emprego, mas não é só do turismo para o social

CDS e Confederação de Turismo são contra. BE diz que houve milhares desempregados do turismo que se ofereceram para o sector social, mas não lhe deram contractos.

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Rui Rio LUSA/FILIPE FARINHA

O primeiro-ministro sugeriu, na quarta-feira, que os desempregados do sector do turismo fossem reconvertidos para empregos no sector social, nomeadamente em lares. Rui Rio não discorda da proposta de António Costa, mas diz que a reconversão de emprego

“É evidente que vai ter de haver reconversão de trabalhadores, nomeadamente no sector do turismo. O primeiro ministro diz para o sector social. Eu não digo para o sector social, digo para os sectores da economia que se venham a fazer procura de mão de obra”, afirmou o presidente do PSD em conferência de imprensa.

Rui Rio concorda que o sector social necessita de mais trabalhadores – “até pelos descalabros que temos tido em alguns lares” -, mas acrescenta que, “no futuro as pessoas têm de se compenetrar é que nem todas vão trabalhar no mesmo sector”.

Medida não teve êxito no passado, diz BE

Já a líder do BE revelou que, logo no início da pandemia, cerca de quatro mil destes profissionais voluntariaram-se para esses empregos e “não lhes foi dado um contrato de trabalho”. Já a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) considerou a proposta de António Costa como inaceitável.

 “Logo na primeira fase da pandemia houve cerca de quatro mil pessoas que tinham perdido o emprego no turismo que se voluntariaram nos centros de emprego para trabalhar no sector social e na altura não lhes foi dado um contrato de trabalho. Foram como uma espécie de bolseiros para o subsídio de desemprego”, afirmou Catarina Martins, após uma visita ao Centro de Apoio à Terceira Idade, em Matosinhos.

Mais tarde, Catarina Martins esclareceu ao PÚBLICO que os 4000 trabalhadores que referiu não eram apenas do sector do turismo mas de vários sectores ptofissionais.  

A coordenadora do BE considerou este facto “um erro”, acentuando que o BE “sempre disse que, se há pessoas que estão disponíveis para ir trabalhar para o sector social, devem ir com um contrato de trabalho”.

Apesar de reconhecer que o sector social precisa de mais pessoas, a líder do BE defendeu que todas as que quiserem trabalhar naquela área “precisam de formação específica, porque não é um trabalho simples cuidar de pessoas num lar ou centro de dia, é preciso formação especial”.” A essa condição é preciso somar um salário e uma carreira dignos”, acrescentou.

Costa a “cruzar os Braços, afirma o CDS

Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS, afirmou ao PÚBLICO quem “devia procurar uma oportunidade no scttor do turismo seria a ministra da Segurança Social, depois de se mostrar totalmente insensível para o exercício das actuais funções”.

“O primeiro-ministro está a cruzar os braços e a assumir publicamente a incapacidade do seu governo em promover a retoma da actividade turística - cujo contributo para o PIB é superior a 16% - em proteger as empresas e em salvar centenas de milhares de empregos associados ao sector”, acrescentou o líder centrista.

Rodrigues dos Santos diz ainda que “António Costa está a desistir de ajudar, em vez de adoptar a estratégia de patriotismo económico e as medidas de apoio à economia e ao emprego que o CDS tem vindo a propor há bastante tempo”, como o prolongamento do regime de lay-off simplificado até ao final do ano, assim como a eliminação dos pagamentos por conta e linhas de crédito a fundo perdido de apoio às empresas com maiores dificuldades.

 “De pouco nos servirá qualquer fundo europeu se até lá não tivermos sectores vivos, sobretudo o do turismo, que é vital para a nossa economia”, acrescentou o líder do CDS.

Turismo contra

Quem também não gostou da proposta de António Costa foi o presidente da CTP, Francisco Calheiros. “Se o Governo dá por perdida a retoma da actividade turística e os milhares de empregos associados ao sector que tem sido o motor da economia nacional, nós não o faremos. O que nós precisamos é de medidas que permitam manter a actividade e os postos de trabalho, como é o caso do prolongamento do layoff simplificado que terminou”, afirmou num comunicado. A solução, acrescenta a CTP, “será sempre a de recuperar as empresas do turismo e não desistir delas”.

Ao contrário das declarações proferidas na quarta-feira pelo primeiro-ministro na cerimónia de assinatura de declaração de compromisso de parceria para reforço excepcional dos serviços sociais e de Saúde, a CTP considera que “os trabalhadores do turismo não têm formação de base para prestar cuidados de saúde e higiene a cidadãos em situação de fragilidade ou à população idosa”.

“Nos últimos anos, fizemos uma forte aposta na formação e qualificação dos nossos profissionais de turismo, que não podemos desvalorizar”, sublinhou ainda Francisco Calheiros.