Mercado automóvel atenua quebras e recupera terreno em Julho

Dados oficias mostram quebra homóloga de 16,9%. A Porsche continua imparável: vendas cresceram 71% no último mês.

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Paulo Pimenta

A venda de carros em Portugal atenuou as quebras de forma substancial no mês de Julho, dando sinais de uma retoma que não chega para voltar ao caminho do crescimento, mas que pode dar esperança ao sector. Dados oficiais revelados esta segunda-feira, com base nas matrículas registadas pela Autoridade Tributária, mostram que depois de um recuo de 54% em Junho e de 48,2% no total do primeiro semestre, o mês de Julho fechou com uma quebra reduzida a cerca de um terço daqueles valores, de 16,9%.

A Porsche continua a ser uma excepção e a crescer no mercado nacional neste ano fortemente afectado pela pandemia. Com efeito, os números hoje divulgados através da Associação Automóvel de Portugal mostram um crescimento sem paralelo. Depois de ganhar 23,4% no primeiro semestre, o ritmo de crescimento praticamente triplicou em Julho, com as vendas a saltarem 71% face a Julho de 2019.

Porém, reflectindo uma melhoria do mercado nacional, a Porsche já não é a única marca que viu as vendas crescerem. Além desta, há outras: a Ford, a DS, a Bentley, a Volvo, a Land Rover e Hyundai também regressaram a terreno positivo, com destaque para a Land Rover, que foi a única destas todas com uma taxa de crescimento de dois dígitos. A Lamborghini registou um crescimento zero (vendeu dois carros, tal como em Julho de 2019). As restantes marcas continuaram a sofrer quebras, com Smart e Tesla (zero registos novos em Julho) a terem os piores desempenhos comerciais.

Ainda nos ligeiros, a Peugeot manteve a posição cimeira da lista, à frente da Renault. Pelo segundo mês consecutivo, lidera por isso o mercado nacional graças a um melhor desempenho no mercado dos ligeiros de mercadorias. Isto porque no mercado dos ligeiros de passageiros, a Renault continua incontestavelmente na liderança.

Detalhando, em Julho foram matriculados 15.209 ligeiros de passageiros novos, ou seja, menos 17,5% em termos homólogos. As vendas deste tipo de viaturas ascendem a 80.057 unidades de Janeiro a Julho, uma quebra homóloga de 45,6%, ligeiramente melhor do que a dos primeiros seis meses do ano.

No mercado de ligeiros de mercadorias, Julho teve uma evolução desfavorável, com um recuo homólogo de 19,4% para 2529 novas matrículas. A quebra acumulada desde Janeiro é de 36,1%.

Somando ligeiros de passageiros e de mercadorias, estes dois mercados registam em Julho uma variação negativa de 17,8% face ao mesmo período de 2019 e de 44,3% nas vendas agregadas desde Janeiro face aos primeiros sete meses do ano passado.

Nos veículos pesados, Julho traduziu-se num mês de crescimento: as vendas subiram 67,3% em termos homólogos, para 363 veículos. Ainda assim, é um resultado que não permite recuperar toda a quebra desde Janeiro, que se situa agora em 42,5%.

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