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rodrigo antunes
Entrevista

Julián Fuks: a literatura ocupada pelas vozes dos outros

A Ocupação nasceu de uma urgência do seu autor, o brasileiro Julián Fuks: pensar o presente do Brasil cruzando a experiência pessoal com as histórias dos outros. Um romance breve em que o narrador sabe da impossibilidade de chegar aos olhos dos outros. E sabe também que especular é o caminho.

Nenhum homem é um homem se não for a humanidade inteira.” A frase é de Mia Couto e Julián Fuks, ou melhor, o seu alter-ego literário, Sebastián, devolve-a contextualizada, numa carta que dirige ao escritor moçambicano e que começa assim: “Mia, caro amigo”, e segue, entre outras coisas, numa exposição da dificuldade de chegar ao outro enquanto escritor, afinal um dos pressupostos da literatura. Como a frase inicial neste texto: “Nenhum homem é um homem se não for a humanidade inteira — isso foi você que escreveu. Quando li essa sua frase, tão verdadeira, razão de ser de quase toda a literatura, pensei que eu poderia ser a humanidade inteira, se escrevesse com sinceridade e justiça. A literatura, era essa a quimera, poderia restituir algo da humanidade que perdemos...” A frase encerra múltiplas perguntas, e o enunciado de um problema que Sebastián, e por conseguinte Julián Fuks, tenta resolver ao decidir aproximar mais a sua literatura do outro no seu último romance, A Ocupação, original de 2019 agora publicado em Portugal.