JSD vai a votos no domingo e candidatos já definiram prioridades: emprego e sistema político

Pela primeira vez, conclave realiza-se online, mas votações decorrem nas estruturas locais, com regras apertadas.

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Congresso será online, pela primeira vez rui Gaudencio

A Juventude Social-Democrata (JSD) realiza este fim-de-semana o seu Congresso online para escolher o futuro líder da estrutura, com os candidatos Alexandre Poço e Sofia Matos a disputarem os votos dos cerca de 600 delegados.

Habitualmente, a votação decorre presencialmente, no último dia do Congresso, mas a pandemia de covid-19 levou a “jota” - estrutura autónoma do PSD - a fazer alterações no modelo habitual, numas eleições que chegaram a estar previstas para Abril para disputar a sucessão da deputada Margarida Balseiro Lopes.

O XXVI Congresso Nacional da JSD vai decorrer entre sexta-feira e domingo por via telemática (à distância). Já as votações serão descentralizadas, nas sedes de distrito, entre as 12h às 19h de domingo, sendo a máscara de protecção individual obrigatória para votar.

Presencialmente, apenas estarão na sede nacional da JSD os presidentes dos órgãos nacionais, um por sala, com um televisor, onde estará a ser transmitido o congresso através de uma plataforma informática.

A actual líder da JSD, Margarida Balseiro Lopes, já completou 30 anos - idade limite para militar na “jota”, não se podendo recandidatar -, foi eleita em Abril de 2018 e tornou-se então a primeira mulher a chefiar esta estrutura.

Prioridades dos candidatos: emprego e sistema político

Os dois candidatos à liderança da Juventude Social-Democrata (JSD), Sofia Matos e Alexandre Poço, apontam lacunas ao Governo na área da educação e elegem entre as prioridades a credibilização do sistema político e o emprego jovem.

Em resposta a perguntas enviadas pela Lusa aos dois candidatos, a actual secretária-geral da JSD elege como medida prioritária, se for eleita, o voto aos 16 anos e “uma modalidade de voto mais coerente com uma sociedade digital para o combate à abstenção”.

“Defendemos ainda a limitação de mandatos para todos os eleitos e a limitação à candidatura e ao exercício de mandato a pessoas condenadas por corrupção ou crimes de idêntica natureza. Tudo isto em prol de uma necessidade premente de devolver credibilidade à política e aos políticos, e voz aos cidadãos que representamos”, salientou.

Sofia Matos considerou ainda que “é impreterível efectuar na JSD um restauro dos ideais mesmo antes das ideias” e ter uma “jota” “de acção mais do que de palavras”, apontando como bandeiras a luta pela “igualdade de oportunidades, emancipação jovem e solidariedade social”.

À mesma pergunta, o vice-presidente da JSD Alexandre Poço elegeu medidas relacionadas com o emprego jovem, considerando que “sem emprego, ou com salários miseráveis, sem acesso facilitado à primeira habitação, a independência dos jovens torna-se muito difícil”.

“Estamos a ultimar medidas e iniciativas legislativas que promovem a contratação de jovens e o seu acesso à primeira habitação, como por exemplo a que isenta a Taxa Social Única (TSU) no início da carreira, sem perda dos benefícios sociais associados, e a criação do IRS jovem até aos 30 anos, nos cinco primeiros anos de actividade profissional”, destacou.

Para Alexandre Poço, “se no 25 de Abril se conquistou a liberdade, agora são necessárias medidas que garantam a independência aos jovens”.

Os dois candidatos concordam em apontar ao Governo lacunas na área da educação, que consideram ter ficado mais visíveis durante a pandemia de covid-19.

“Durante esta crise pandémica temos assistido a um crescente afastamento da realidade por parte do Governo de António Costa. O facto de milhares de jovens terem ficado sem possibilidade de assistir a aulas, ou de cumprir as suas tarefas académicas, por questões sociais, como o facto de não terem internet em casa, ou não terem acesso a um simples computador, colocou a nu que a escola deixou de funcionar como elevador social”, criticou Alexandre Poço.

Na mesma linha, Sofia Matos considerou que devido à pandemia “o aproveitamento escolar dos estudantes do ensino superior foi colocado em causa” e defendeu que a atribuição de bolsas de estudo para o próximo ano lectivo “deveria flexibilizar os critérios de elegibilidade”, salientando que o Parlamento aprovou no Orçamento Rectificativo uma proposta da JSD com esse objectivo.

A pandemia afectou igualmente a campanha dos candidatos à liderança da “jota”, mas os dois deputados destacam a capacidade de adaptação da geração a que pertencem, com a ajuda das novas tecnologias

“A nossa candidatura teve de se reinventar, dada a impossibilidade de levar o nosso projecto, pessoalmente, a todos os distritos do país”, afirmou Sofia Matos, explicando que, além de ter divulgado nas suas redes sociais uma entrevista com as principais ideias, a candidatura construiu uma plataforma a nível nacional “que juntou mais de 500 voluntários no intuito de ajudar os mais frágeis e mais idosos em tempos de pandemia”.

Também Alexandre Poço considerou que, apesar da necessária adaptação, foi sempre possível “manter uma ligação forte e próxima com os militantes da JSD de todo o país”.

Sofia Matos foi apoiante do presidente Rui Rio nas directas de Janeiro, Alexandre Poço esteve primeiro com Miguel Pinto Luz e, na segunda volta, com Luís Montenegro.

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