Almada dá voz às mulheres assassinadas e ao fim da juventude

Duas estimulantes produções teatrais espanholas tomam conta do Festival de Almada durante os próximos dias: Agnès Mateus e Quim Tarrida rompem com o silêncio em torno do feminicídio e Celso Giménez devolve-nos aos momentos determinantes da adolescência.

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"Rebota" é um murro no estômago servido com humor (que se vai esvaindo) Quim Tarrida
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Todas as possibilidades da juventude em "Future Lovers", da companhia madrilena La Tristura Mario Zamora

Rebota Rebota y en tu Cara Explota é a segunda obra a resultar da parceria artística entre Agnès Mateus e Quim Tarrida. E é um verdadeiro vendaval de humor cínico, de uma escalpelização dolorosa da cultura machista contemporânea e da permissividade em relação ao feminicídio, montado sob a forma de um monólogo que convoca tanto o riso quanto a culpa de cada vez que esse riso se manifesta. É, se assim lhe podemos chamar, um murro no estômago acompanhado de um sorriso ácido nos lábios, obrigando a que o público não saia do teatro com a mesma relação de passividade perante um flagelo que se espalha por todo o mundo. Rebota é também uma das duas produções espanholas que, nos próximos dias, chegam a Almada e prometem agitar esta edição do festival. Os catalães Mateus e Tarrida estarão na Academia Almadense de 22 a 26 de Julho, enquanto Future Lovers, da companhia madrilena La Tristura, passará pelo Teatro Municipal Joaquim Benite entre sexta e domingo (17 a 19).