Algarve desmente peso da transmissão social nas infecções e culpa a festa de Lagos

A região regista 277 casos activos, sendo que 142 estão relacionados com a festa de Lagos. “Se os britânicos olhassem para os números deles e para os nossos, fugiam todos de lá e vinham para cá”, diz o presidente da Amal.

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Os grupos de jovens holandeses nas ruas dos de Albufeira é um “cenário de risco” que está a ser acompanhado de perto Duarte Drago

As autoridades regionais de saúde do Algarve rejeitam os números do estudo da Situação Epidemiológica, divulgado na reunião do Infarmed, que dá conta que 50% dos casos de infecção do novo vírus na região resultam do contacto social. “Excluindo o surto da [festa] de Lagos, temos uma distribuição idêntica às outras regiões”, disse nesta sexta-feira a directora regional de saúde pública, Ana Cristina Guerreiro, na conferência de imprensa destinada a fazer o balanço da situação da covid-19 nas últimas duas semanas. Numa altura em que o sector hoteleiro convida os turistas a fazer férias, a região procurar encontrar o “equilíbrio possível” entre o controlo da doença e a reactivação da economia.

Os grupos de jovens holandeses nas ruas dos de Albufeira, reconheceu a médica de saúde pública, é de facto um “cenário de risco” que está a ser acompanhado de perto: “Estamos atentos”, disse Ana Cristina Guerreiro, acrescentando que estão a ser preparadas algumas medidas que “possam minorar os riscos”, sem especificar.

Por seu lado, o secretário de Estado coordenador regional, José Apolinário, destacou que, dos 277 casos activos, 142 estão relacionados com festa de Lagos. “A nível nacional, a via de transmissão mais frequente é por coabitante”, disse, assumindo esse factor 39% dos casos. No Algarve, diz o estudo apresentado no Infarmed, o contágio social representa 50% dos casos. O estudo avaliou a distribuição proporcional dos casos entre 23 de Junho e 5 de Julho.

Dos 142 casos de infectados com a origem na Festa do Clube de Odiáxere (Lagos), 38 já estão recuperados. No Hospital de Faro encontram-se sete doentes internados com covid-19 mas nenhum em cuidados intensivos.

Sobre o que se prevê que possa vir a acontecer nos próximos dias, com mais turistas a frequentar bares e discotecas, a delegado regional de saúde pública lembrou que são “espaços com grande risco de transmissão, porque são fechados, funcionam com ar condicionado, sem possibilidade de utilização de ar exterior”.

Por conseguinte, considerou “natural que haja um acréscimo no número de casos diários”. No entanto, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve - Amal, António Pina, considera que a situação epidemiológica está “controlada” e se os ingleses não escolhem o Algarve para passar férias é porque estão mal informados. “Se os britânicos olhassem para os números deles e para os nossos, fugiam todos de lá e vinham para cá”, rematou.

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