Academia do cinema francês aposta na “paridade integral” dos seus órgãos dirigentes

Instituição que promove os Césares apresentou novos estatutos e anunciou eleições para Setembro.

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As actrizes Noemie Merlant e Adele Haenel no início da cerimónia dos Césares 2020 YOAN VALATEPA/ EPA

O princípio da “paridade integral” entre homens e mulheres e uma maior “diversidade e representatividade” nos diferentes órgãos dirigentes são os princípios básicos dos novos estatutos que a Academia do cinema francês, responsável pela atribuição anual dos Césares, anunciou esta quinta-feira.

A nova legislação foi elaborada pelo colectivo de dirigentes que está demissionário desde meados de Fevereiro na sequência de críticas contundentes enunciadas por várias figuras do cinema francês à sua “opacidade” e “falta de diversidade”.

Cinco meses depois, a equipa que até aí tinha sido presidida pelo produtor Alain Terzian (que esteve 17 anos na presidência) apresenta um novo corpo estatutário que visa superar a crise que teve o seu momento mediático mais alto na última cerimónia de atribuição dos Césares, no início do ano. Na noite de 28 de Fevereiro, logo que Roman Polanski foi anunciado vencedor do César de realização pelo seu filme J’Accuse – O Oficial e o Espião, a actriz Adèle Haenel (Retrato de uma Rapariga em Chamas) manifestou o seu protesto, gritou “Uma vergonha!” e abandonou a sala, logo seguida pela realizadora Céline Sciamma, pela actriz Noémie Merlant e outras pessoas da plateia.

Em causa, apesar de ausente da Sala Pleyel, estava uma vez mais o realizador polaco e as sucessivas acusações de violações e de assédio sexual que sobre ele impendem.

Era o momento de não retorno para o statu quo da Academia das Artes e Técnicas do Cinema francês. Agora dirigida interinamente pela também produtora Margaret Ménégoz, a instituição, coadjuvada pelo Centro Nacional do Cinema (CNC), lança um novo corpo estatutário — anunciado num comunicado citado pelos jornais e pela AFP —, que, entre outras novidades, propõe que a presidência seja assumida por “um tandem homem/mulher” e que o conjunto dos mais de quatro mil membros da Academia com direito de voto na cerimónia dos Césares possam também candidatar-se aos cargos e escolher os seus representantes.

As próximas eleições estão anunciadas para Setembro, já sob a jurisdição dos novos estatutos, com a expectativa de que os novos dirigentes possam preparar a cerimónia dos Césares para o próximo ano.

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