Twitter não exclui suspender conta de Donald Trump

Nick Pickles, representante do Twitter, afirma que os tweets de Donald Trump são examinados da mesma forma que os provenientes de outras contas verificadas.

violencia-policial,redes-sociais,racismo,eua,tecnologia,twitter,
Foto
Reuters/Tom Brenner

Um alto responsável do Twitter não excluiu, esta quinta-feira, a suspensão da conta da Donald Trump caso o Presidente norte-americano continue a publicar mensagens que violem as regras daquela rede social.

Com 81,7 milhões de subscritores, a conta @realDonaldTrump está entre as dez mais seguidas no Twitter. Mas o líder norte-americano está em conflito com a rede social, que assinalou dois dos seus tweets sobre o voto por correspondência, colocando-lhes a menção “verifique os factos”, e classificou um outro, feito em plena crise motivada pelo homicídio de George Floyd, como “apologia da violência”.

“Quando começam as pilhagens, começam os tiros”, declarou Donald Trump sobre os confrontos entre manifestantes e a polícia que eclodiram em dezenas de cidades norte-americanas após a morte, em 25 de Maio, do afro-americano George Floyd, de 46 anos, asfixiado em Mineápolis por um polícia branco.

O director de estratégia política pública do Twitter, Nick Pickles, declarou esta quinta-feira, numa audição parlamentar no Reino Unido, que os tweets de Donald Trump são examinados da mesma forma que os provenientes de outras contas verificadas. “Cada vez que o tweet de um utilizador é publicado e nos é assinalado, examinamo-lo de acordo com as nossas regras”, declarou Pickles.

“Se um utilizador no Twitter continuar a infringir as nossas regras, continuaremos a manter as discussões sobre todas as possibilidades que se nos oferecem”, acrescentou. Os deputados perguntaram por duas vezes a Pickles se isso significava que a conta do Presidente norte-americano poderia ser suspensa caso continue a não cumprir as regras. “Cada conta Twitter está submetida às regras do Twitter”, respondeu.

A Snapchat, uma rede social muito utilizada por jovens, anunciou na quarta-feira que vai deixar de promover as mensagens do Presidente norte-americano devido às suas declarações que “incitam à violência racial”.

“Não vamos amplificar as vozes que incitam à violência racial e à injustiça, dando-lhes promoção gratuita na [secção] Discover”, disse Rachel Racusen, porta-voz da empresa Snap, citada pelo The New York Times. “Não podemos simplesmente promover contas na América que estejam ligadas a pessoas que incitam à violência racial, quer o façam dentro ou fora da nossa plataforma”, acrescentou o CEO, Evan Spiegel.

Pelo contrário, o Facebook decidiu não assinalar ou censurar de qualquer forma as mensagens do Presidente dos Estados Unidos, suscitando o descontentamento de diversos trabalhadores da plataforma.

Sugerir correcção