Zuckerberg não vai seguir exemplo do Twitter. “O Facebook não deve ser o árbitro da verdade”

O Facebook não vai moderar as publicações feitas pelo Presidente dos EUA.

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Há muito que Zuckerberg defende mais regulação Erin Scott/Reuters

O presidente executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, diz que o Facebook não vai seguir o exemplo do Twitter ao verificar os factos das publicações feitas pelo presidente dos EUA. 

“Penso que temos uma política diferente”, afirmou o responsável da rede social em declarações ao programa Daily Briefing da Fox News, esta quinta-feira, depois de o Twitter começar a assinalar algumas publicações de Trump com uma ferramenta de verificação de factos. “Acredito firmemente que o Facebook não deve ser o árbitro da verdade daquilo que as pessoas dizem online”, justificou.

As declarações foram feitas após o presidente norte-americano Donald Trump avisar as gigantes tecnológicas que o governo tinha o poder de “regular fortemente” ou “fechar” empresas se continuassem a “silenciar vozes conservadoras”. 

As acções do Twitter motivaram o líder dos EUA a assinar uma directiva para “prevenir censura online”, esta quinta-feira, que nota que fornecedores de conteúdo online (como o Facebook, o Twitter, e o Google) que participem na moderação de conteúdo dos seus utilizadores passam a poder ser responsáveis pelo conteúdo nas plataformas. Até agora, as redes sociais estavam protegidas pela secção 230 do Communications Decency Act (CDA), que as impedia de serem responsabilizadas pelos actos dos seus utilizadores e as permitia regular livremente as discussões nas suas plataformas.

É uma abordagem que o Facebook não defende. “Revogar ou limitar a secção 230 vai ter o efeito oposto [ao que o Presidente quer]. Vai restringir mais conteúdo online, não menos”, lê-se numa mensagem do Facebook em resposta a questões do PÚBLICO. A equipa acredita que tornar as empresas responsáveis pelas palavras dos seus utilizadores “penaliza empresas que optem por permitir discursos controversos” e “incentiva plataformas a censurar qualquer coisa que possa ofender alguém.”

A visão da rede social sobre o papel das plataformas em moderar conteúdo não é recente. “Quando se entra em discussões sobre a liberdade de expressão, caminha-se sobre uma linha ténue”, disse o presidente do Facebook em Julho de 2018, ao falar sobre o direito de as pessoas publicarem informação errada na plataforma. Na altura, Zuckerberg foi fortemente criticado por referir que as pessoas deviam poder exprimir a opiniões controversas na Internet, incluindo a negação do Holocausto (mais tarde, admitiu que tinha sido um “mau exemplo"). “Não é a nossa empresa que deve definir as regras da liberdade de expressão”, repetiu em 2019.

Twitter mantém posição

Mesmo com a directiva presidencial entretanto assinada, o Twitter manteve a sua posição e esta sexta-feira escondeu um tweet de Donald Trump. Tratava-se de um comentário sobre os protestos na cidade de Minneapolis após quatro polícias terem causado a morte de um homem negro. Os utilizadores que queiram ler a mensagem do presidente têm de aceitar ler conteúdo que “glorifica a violência”.

“Isto não nos faz ‘árbitros da verdade’”, escreveu o presidente executivo do Twitter, Jack Dorsey, num tweet de resposta a Zuckerberg. “A nossa intenção é ligar as pontas soltas de declarações contraditórias e mostrar a informação que está a ser disputada para que as pessoas possam decidir por si mesmas”, explicou Dorsey.

Para Mark Zuckerberg, porém, as plataformas não devem ter a última palavra na moderação de conteúdo. Foi um dos motivos que levou o Facebook a criar um comité de moderação independente, responsável por monitorizar o trabalho na rede social e decidir sobre o conteúdo que permanece publicado na plataforma. Há muito que o criador do Facebook defende também que a empresa precisa de mais regulação, tendo pedido por diversas vezes que governos criem definições mais claras sobre o que constitui conteúdo problemático na Internet.

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