Covid-19. É “cada vez mais” improvável segunda grande vaga, diz OMS

A directora do departamento de Saúde Pública da Organização Mundial da Saúde pediu, numa entrevista, “muita prudência e bom senso”. Ao final do dia, a OMS pediu cuidado no levantamento das restrições que poderão levar a um “segundo pico” – que não é necessariamente uma segunda vaga.

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A OMS destaca que as próximas semanas serão "uma fase muito crítica" FRANCK ROBICHON/EPA

A directora do departamento de Saúde Pública da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Neira, afirmou nesta segunda-feira que é “cada vez mais” improvável uma segunda grande vaga do novo coronavírus, mas aconselhou muita prudência. Ao final do dia, a OMS alertou, em conferência de imprensa, para um “segundo pico imediato” (e não necessariamente uma segunda vaga) nos países onde as infecções pelo novo coronavírus estão a diminuir, caso estes deixem passar demasiado cedo as medidas para travar o surto.

Em entrevista à rádio catalã RAC-1, Maria Neira indicou que os modelos de previsão com que a OMS trabalha “avançam muitas possibilidades, desde novos surtos pontuais a uma nova vaga importante, mas esta última possibilidade é cada vez mais de descartar”.

“Estamos muito mais bem preparados em todos os sentidos”, afirmou a médica espanhola, que recomendou “muita prudência e bom senso” numa fase “muito crítica” da pandemia de covid-19 em Espanha e na Europa e pediu que a população não “entre em paranóia nem se relaxe demasiado” e que “aprenda a conviver com doenças infecciosas”.

Maria Neira considerou que em Espanha se “baixou tanto a taxa de transmissão que o vírus terá dificuldade em sobreviver”. “Devemos ter muita prudência em afirmar se este é o fim da vaga, mas, pelo menos, os dados mostram que se evitou a transmissão e explosão das primeiras semanas”, declarou.

No entanto, destacou que “vale a pena não fazer muitas previsões porque as próximas semanas serão uma fase muito crítica”. “Com a abertura [do confinamento das populações] é preciso ver como se comporta o vírus, mas será uma batalha diária. Dentro de duas ou três semanas veremos o que aconteceu e se é preciso fazer alguma correcção cirúrgica”, referiu sobre a abertura registada em Espanha.

Maria Neira reconheceu que a OMS ainda tem “algumas dúvidas sobre a relação do vírus com o clima”, mas que regista que este está a “fazer o percurso geográfico que se espera de um vírus que quer sobreviver”. “Os números da imunidade são muito baixos. É preciso vigilância na reabertura”, reiterou.

Director executivo de Emergência pede cautela no levantamento de medidas

Ao final do dia de segunda-feira, a OMS alertou para um “segundo pico imediato” nos países onde as infecções estão a descer, se não tiverem cuidado com o levantamento das medidas restritivas.

O mundo ainda “está a meio da primeira vaga do surto de covid-19”, disse o director executivo de emergência da OMS. Mike Ryan afirmou que as epidemias surgem frequentemente em vagas, o que significa que os surtos podem voltar no final deste ano em locais onde a primeira vaga já diminuiu, e pediu à Europa e América do Norte para terem cuidado com o desconfinamento.

“Quando falamos de uma segunda vaga, classicamente, o que muitas vezes queremos dizer é que haverá uma primeira vaga da doença por si só, e que ela se repetirá meses mais tarde. E isso pode ser uma realidade para muitos países dentro de alguns meses”, afirmou Ryan.

“Não podemos partir do princípio de que só porque a doença está a descer agora, que vai continuar a descer. Temos alguns meses para nos prepararmos para uma segunda vaga”, disse, acrescentando que os países devem “continuar a pôr em prática as medidas sociais e de saúde pública, as medidas de vigilância, as medidas de teste e uma estratégia global para garantir que continuamos numa trajectória descendente e que não temos um segundo pico imediato”.

Notícia actualizada às 20h22 com novas declarações da OMS

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