Trump diz ser “apropriado” tomar hidroxicloroquina e equaciona proibir viagens do Brasil

O Presidente dos EUA tinha anunciado que começou a tomar hidroxicloroquina, apesar de as autoridades de saúde pública terem alertado que pode ser perigoso fazê-lo.

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O Presidente Donald Trump durante a reunião do seu gabinete na Casa Branca KEVIN DIETSCH/EPA

Donald Trump revelou esta terça-feira, durante uma reunião do seu gabinete, que achou que seria “apropriado” tomar hidroxicloroquina depois de dois funcionários da Casa Branca terem testado positivo para a covid-19.

Na segunda-feira, o Presidente norte-americano anunciou que tinha começado “a tomar há algumas semanas” hidroxicloroquina, um medicamento utilizado para tratar a malária e doenças auto-imunes como a artrite reumatóide ou o lúpus — apesar de as autoridades de saúde pública terem alertado que pode ser perigoso fazê-lo.

“Alguém bem próximo de mim, um cavalheiro jovem e simpático, testou positivo. Além disso, eu lido muito com o Mike [Pence] e alguém muito próximo dele, que eu também costumo ver, testou positivo. Por isso pensei que, do meu ponto de vista, não era uma má altura para tomar [hidroxicloroquina]”, afirmou Trump esta terça-feira, citado pela BBC.

Além de defender o uso do medicamento, o Presidente dos Estados Unidos descredibiliza um estudo que revelou que a taxa de mortalidade era significativamente maior nos pacientes infectados pelo novo coronavírus que foram tratados com hidroxicloroquina. Os resultados do estudo, que incluiu centenas de doentes com covid-19 internados nos centros médicos da administração de saúde para veteranos dos EUA, mostraram que a taxa de mortalidade em 97 pacientes que tomaram hidroxicloroquina foi de 27,8%, enquanto a taxa de mortalidade nos 158 infectados que não tomaram o medicamento foi de 11,4%, segundo o Guardian.

“Se olharem para esse estudo, o único mau, eles estavam a dar o medicamento a pessoas que estavam em muito mau estado, eram muito velhas e estavam quase mortas”, afirmou Trump, acrescentando que este estudo foi uma “declaração de um inimigo” seu.

“Mas se olharem para alguns dos relatórios que chegaram de Itália, França e outros [países], muitos dos nossos trabalhadores que estão na linha da frente tomam [hidroxicloroquina]. Mas as pessoas vão ter de decidir por si (…) Mais uma vez, esta é uma decisão individual a tomar”, concluiu, acrescentado que, a seu ver, o medicamento “oferece um nível adicional de segurança”.

Donald Trump revelou ainda que está a ponderar proibir as viagens do Brasil — o terceiro país do mundo com maior número de casos de infecção — para os Estados Unidos. “Não quero que as pessoas venham para cá e infectem o nosso povo. Também não quero que as pessoas de lá estejam doentes. Estamos a ajudar o Brasil com ventiladores. O Brasil está a ter alguns problemas, não há dúvidas”, disse.