Há mais 75 mil desempregados do que em Abril do ano passado

Ministro das Finanças, Mário Centeno, revela que estavam inscritas mais 75 mil pessoas nos centros de emprego em Abril de 2020 do que no período homólogo do ano transacto.

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Mário Centeno foi entrevistado esta quinta-feira na RTP3 Yves Herman

O ministro das Finanças reconheceu, esta quinta-feira, que já existem sinais claros de dificuldades provocadas pela pandemia de covid-19 no país, destacando, entre outros, os índices de desemprego. Mário Centeno revelou que, em comparação com Abril de 2019, existem agora mais 75 mil inscritos nos centros de emprego.

“É preciso retomar a actividade económica. Temos indicadores que reflectem já isso [as dificuldades] hoje. É evidente que o número de trabalhadores cujas empresas acederam a layoff é muito grande. Foi uma enorme ‘almofada de protecção’ ao emprego que conseguimos montar em tempo recorde face à severidade da crise, mas há números que já vão fugindo a estas ‘almofadas’. Os do desemprego, que mostram um número significativo. Estamos a falar de um aumento do número de registados no centro de emprego de 75 mil [pessoas] face a Abril do ano passado”, adiantou o ministro Mário Centeno, em entrevista à RTP3.

O também presidente do Eurogrupo acredita que a crise económica, por estar directamente ligada à pandemia, seguirá as oscilações da curva epidemiológica, adiantando que o travão colocado à actividade económica em Abril poderá ter um impacto de 6,5% no produto interno bruto de 2020

“As quebras de actividade em Abril podem ter retirado ao PIB anual cerca de 6.5%, em 30 dias úteis. Um valor muito significativo. Podemos estar a observar uma queda, em termos nominais, superior aos 15 mil milhões de euros em termos anuais.

O retrato das dificuldades que o país poderá atravessar nos próximos meses foi traçado ao longo da entrevista, mas Mário Centeno considera que o achatamento da curva epidemiológica deve ser vista como uma prioridade, antes de começar a ser pensado o verdadeiro custo económico da pandemia.

“Neste momento, não é tempo de pensar na factura. Temos de combater a crise, na primeira dimensão que foi sanitária e atingiu o mundo, na sua quase totalidade, de forma violenta. Devemos estar orgulhosos da forma como o fizemos. Os resultados mostram o sucesso dessa nossa acção que é absolutamente colectiva e requereu um grande esforço no nosso serviço nacional de saúde, muito bem entendido por todos os profissionais do sector e portugueses. Os resultados da curva epidemiológica estão a melhorar.”

Mas quando é que Portugal vai voltar aos valores registados antes do surto? "Prevemos que, ao longo do ano de 2022, estejamos a recuperar os níveis de actividade de 2019”, respondeu taxativamente Mário Centeno, adiantando que os apoios providenciados pela União Europeia serão fortes e proporcionais às carências dos diferentes países. O país poderá receber, a partir do dia 1 de Junho, mais de mil milhões de euros dos apoios estabelecidos pela Comissão Europeia.

Quanto à crise vivida pela TAP, não há cenários impossíveis – incluindo o da nacionalização –, mas o assunto ainda terá de ser avaliado e discutido nos próximos dias. Apesar dessa indefinição, Mário Centeno deixou algumas garantias: “A TAP tem um papel estratégico insubstituível. A responsabilidade financeira com que o Governo tratou nos últimos quatro anos todas estas questões vai manter-se. O respeito pelo dinheiro dos contribuintes é algo inviolável e vai obviamente ser levado em conta.” 

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