Entrevista

“Esta situação não será indolor”, diz Tiago Antunes

O secretário de Estado Adjunto de António Costa admite que, mesmo com os apoios públicos, a situação das empresas não será fácil. Podem existir algumas que não sobrevivem. Para já a mensagem é “aguentar”.

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Tiago Antunes foi o convidado do programa "Hora da Verdade" desta semana Nuno Ferreira Santos

O Governo tem admitido que há sectores que foram ficando para trás e tem corrigido algumas medidas. O executivo prevê que, mesmo com todos os apoios que tem vindo a anunciar, haja empresas a desaparecer? 
Nós temos procurado agir a vários níveis. Mas deixe-me ser totalmente honesto: esta situação não será indolor. As consequências sentir-se-ão e haverá, infelizmente, muitos portugueses que sentirão essas consequências. Temos vindo a actuar para as mitigar, designadamente no plano do emprego. O que fizemos, sobretudo com a medida do layoff, foi ajudar as empresas a manterem o emprego e a não recorrerem, idealmente, a despedimentos. 

A dúvida é se saem do layoff para a actividade ou para o desemprego?
O que está previsto é que as empresas que recorrem ao layoff não podem despedir. E com isso temos a ideia de congelar a situação das empresas no momento pré-covid e tentar que elas aguentem agora neste período mais crítico, até ao final do segundo trimestre, até ao final de Junho. Agora é ajudar as empresas a aguentar, é dar apoios de tesouraria, é adiar ou diferir o pagamento de impostos ou de contribuições sociais, é ajudar as empresas no pagamento até dois terços dos salários... Depois, passada esta fase mais crítica, será preciso um plano robusto de relançamento da economia. 

Tem havido vários apelos das instituições a pedir um plano de desconfinamento para os lares e mais apoios. Há margem para dar mais apoios ao sector social?
A questão dos idosos preocupa-nos. A Direcção-Geral de Saúde está a trabalhar num plano relativamente aos lares para verificar em que termos é que poderá ser possível retomar as visitas.

A celebração do 1.º de Maio passou a ideia de que o Governo abriu uma excepção para a CGTP e o PCP. O PCP também já fez saber que está a preparar a Festa do Avante!. Não seria melhor o Governo dizer já alguma coisa sobre isso, como vai dizer sobre os festivais de Verão?
A Festa do Avante! é em Setembro, e Setembro parece a uma eternidade de distância. Teremos de analisar essa situação com tempo, em função do que for o desenvolvimento epidemiológico. É muitíssimo cedo para estar a opinar sobre o que é que é possível acontecer em Setembro.

Temos um Verão que, além de praia, é feito de festas pelo país fora. O Governo já pensou no que vai dizer em relação a essas festas? 
Definiremos, mais à frente, regras mais precisas, mas o que posso desde já adiantar é que terá de haver uma enorme prudência em relação a essas festas e arraiais.

O Governo remeteu para o fim de Maio o regresso das celebrações religiosas. Presumo que continue a conversar com as várias confissões religiosas. Que eco tem disso?
Tem havido, de facto, conversações em permanência entre o Governo e as confissões religiosas a esse respeito. As celebrações religiosas comunitárias são, pelo número de pessoas, pela agregação, pela proximidade e pela faixa etária, situações que implicam algum risco. Por isso fomos sempre cautelosos na definição desse calendário. A Igreja Católica foi sempre muito prudente e muito responsável. Foi ela que tomou a iniciativa, ainda antes do estado de emergência, de suspender as celebrações eucarísticas.

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