Lucro dos CTT mantém-se nos 3,7 milhões de euros

A empresa de correios diz que a pandemia do novo coronavírus veio interromper o ritmo de crescimento de receitas que estava a registar desde Janeiro.

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João Bento foi recentemente reeleito para mais um mandato à frente dos CTT Ricardo Lopes

O resultado líquido dos CTT manteve-se praticamente inalterado no primeiro trimestre de 2020, nos 3,7 milhões de euros (menos 0,4% face ao homólogo), com as encomendas, o Banco CTT e os serviços financeiros a segurarem uma subida de receitas operacionais de 1,7%, para 179,9 milhões de euros, num período em que a actividade foi afectada pelo surto do novo coronavírus.

Segundo o comunicado divulgado esta quarta-feira pela empresa, o lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) recuou 3,7%, para 20 milhões de euros, com os custos operacionais a aumentarem 2,4%, para cerca de 160 milhões de euros.

Os rendimentos operacionais gerados pelo Banco CTT aumentaram 116,4%, para 19,5 milhões (cerca de metade dos quais atribuíveis à empresa de crédito automóvel 321 Crédito), e os dos serviços financeiros subiram 23%, para 13 milhões.

No caso das encomendas e correio expresso, o aumento foi de 1,6%, para 37,3 milhões.

Estas actividades compensaram a quebra de 8,3% da actividade postal, cujas receitas atingiram 110 milhões de euros.

O grupo presidido por João Bento destaca que a pandemia da covid-19 afectou consumidores e empresas e que, apesar de os CTT terem concretizado “várias iniciativas” para facilitarem o acesso dos consumidores portugueses e espanhóis aos seus serviços, “os negócios foram em geral negativamente influenciados”.

A área de negócio de correios, de onde vem ainda a maior parte das receitas, “foi muito afectada na segunda metade do mês de Março”, período que coincidiu com a primeira declaração do estado de emergência.

No caso do correio expresso, os impactos foram sentidos principalmente em Espanha - enquanto em Portugal os proveitos do correio expresso aumentaram 6,5%, para 24, 4 milhões de euros, em Espanha reduziram-se em 9%, para 12,1 milhões de euros.

Os CTT sublinham que as iniciativas destinadas a ajudar as empresas a comercializarem os seus produtos, “e o forte empenho em capturar tráfego” associado ao comércio electrónico, “foram muito bem-sucedidas e reverteram a tendência de queda do tráfego B2B já em Abril”.

Segundo a empresa, nos dois primeiros meses de 2020, as receitas totais estavam a crescer 7,4%, mas foram afectadas com a crise de saúde pública.

No caso dos serviços financeiros, por exemplo, registou-se uma “redução significativa” na subscrição de títulos da dívida pública, uma vez que é um produto que assenta muito no canal de retalho, ou seja, as lojas, que viram o seu modelo de funcionamento e horários alterados, e restringidos, pela crise. Mesmo assim, no trimestre, os proveitos relacionados com os títulos da dívida pública ainda aumentaram 44,3%, para 8,4 milhões.

Pelo contrário, no Banco CTT, os impactos em Março “foram menos expressivos”, permitindo ao banco obter, “pela primeira vez na sua história, um resultado positivo no trimestre”.

Sobre a actividade bancária, a empresa salienta que o crescimento dos proveitos no terceiro trimestre contou com o contributo positivo da margem financeira (de mais 1,6 milhões de euros).

As comissões recebidas pelo banco também aumentaram 76,4%, ou 1,2 milhões de euros, impulsionadas em parte pelas transacções com cartão de débito em multibancos e ATM, que passaram a estar sujeitas ao pagamento de comissão em algumas circunstâncias.

No crédito, a carteira de crédito habitação líquida de imparidades situou-se nos 442 milhões de euros (mais 9,2% face a Dezembro) e a de crédito especializado atingiu 503 milhões (mais 5% face a Dezembro).

No final de Março os depósitos de clientes totalizavam 1383 milhões de euros (mais 7,7% do que no final do ano passado) e tinham sido abertas mais 20 mil contas, perfazendo um total de 481 mil contas.