Freiras portugueses inspiram o mundo e põem outros religiosos a rezar pelo fim da pandemia

Dezenas de comunidades contemplativas de 30 países unem-se em cadeia de oração. Rezam pelas vítimas, familiares, profissionais de saúde e pessoas em dificuldade.

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LUSA/ANGELO CARCONI

Primeiro foram as Concepcionistas de Campo Maior que lançaram a campanha “Do convento rezo por ti”. E centenas de religiosas de outros conventos do país abraçaram a iniciativa. Agora mais de 50 consagrados de 30 países rezam pelas vítimas de covid-19, seus familiares, profissionais e auxiliares de saúde a pedido da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS - ACN Portugal).

“Oramos ainda pelo fim da pandemia que também está afectar a sobrevivência de comunidades que vivem em regiões mais empobrecidas”, acrescenta Catarina Bettencourt, directora desta instituição, ao PÚBLICO.

Ddepois das freiras portuguesas, alguns parceiros das congregações religiosas de outros países já estavam a orar por esta intenção quando a Fundação AIS contactou outras comunidades contemplativas para se juntarem à corrente de oração. Com esta iniciativa, a organização já reuniu meia centena de religiosos e religiosas carmelitas, beneditinos, dominicanos e clarissas de mais de 30 países.

Em Portugal, aderiram as Irmãs de Campo Maior; as Carmelitas, em Fátima; as Beneditinas; e a Paróquia de São Tiago de Almada, na diocese de Setúbal. “Esperamos que mais congregações se juntem nesta intenção mundial para que possamos recuperar a saúde”, apela a directora da fundação que existe em Portugal desde 1995 e está integrada na organização internacional Aid to the Church in Need (ACN), fundada, no final da Segunda Guerra, pelo pároco Werenfried van Straaten que ajudou milhões de refugiados da Alemanha de Leste que fugiam da ocupação comunista.

É precisamente de Heine-Geldern, presidente internacional da Fundação AIS que chega o maior alerta: Há “padres que não têm meios de subsistência ou religiosas que nem sequer têm dinheiro suficiente para comprar sabão ou produtos de higiene, porque nos seus países são considerados bens de luxo e, por isso, são caros…” 

O dirigente internacional “tem recebido muitas mensagens a expressar medo e preocupação com o futuro de benfeitores que estão a viver a doença e a perda na sua família ou a sofrer problemas económicos, como de muitos dos 140 países onde se apoiam projectos”, refere a organização portuguesa, em comunicado.

Por exemplo, as irmãs carmelitas de Morondava, em Madagáscar, alertam para a situação de pandemia no país com “toques de recolher obrigatórios e muitas pessoas com medo que as milícias terroristas se aproveitem da situação e realizem ataques”. Por todo o lado há relatos de casos de medo. 

Em comunicado, a Fundação AIS – ACN Portugal relembra, por fim, as palavras do presidente internacional: “A oração é um pilar do trabalho da Ajuda à Igreja que Sofre.”