Incêndios deixam Sibéria e extremo oriente russo em “situação crítica”

Desde o início do ano, foram registados 448 focos de incêndio que afectaram uma superfície de mais de 475 mil hectares. A principal causa são as queimadas descontroladas em prados secos.

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Incêndios na região siberiana de Krasnoyarsk, em 2019 RUSSIAN FEDERATION SERVICE AVIATION FOREST PROTECTION/EPA

A Sibéria e o extremo oriente russo registam actualmente uma “situação crítica” devido a incêndios florestais, alertou esta segunda-feira o ministro para as Situações de Emergência da Rússia, Yevgeny Zinichev.

“Actualmente decorre uma situação crítica com os incêndios florestais na Sibéria e extremo oriente”, disse Zinichev, numa videoconferência entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e os governadores regionais, na qual foi abordada a prevenção de incêndios e inundações.

O ministro disse que, nos primeiros quatro meses de 2020, os fogos florestais na região siberiana de Krasnoyarsk arrasaram uma superfície dez vezes maior do que a registada durante o mesmo período de 2019.

Acrescentou que nas regiões de Zabaikalie e de Amur, a área afectada pelos incêndios aumentou 200% e 50%, respectivamente, em comparação com os dados do ano passado.

“Este ano, à semelhança do ano passado, a temporada dos incêndios florestais antecipou-se (…). O primeiro incêndio registou-se a 8 de Janeiro na república de Carachai-Cherquéssia (Cáucaso do Norte)”, informou Zinichev.

Segundo os dados do seu ministério, desde o início do ano foram registados 448 focos de incêndio que afectaram uma superfície de mais de 475.000 hectares — no pior ano de incêndios em Portugal, 2017, arderam menos de 500 mil hectares

O ministro disse que a principal causa destes incêndios reside nas queimadas descontroladas em prados secos. “Documentámos mais de 33.000 queimadas descontroladas, pelas quais foram sancionadas mais de 12.500 pessoas, 167 empresas, 1500 funcionários e 366 entidades municipais”, disse.

Em paralelo, o ministro dos Recursos Naturais, Dmitri Kobylkin, assinalou que as previsões dos serviços de meteorologia indicam que o próximo Verão “será um dos mais quentes, se não o mais quente” na história das medições meteorológicas na Rússia.

Kobylkin lamentou que os incêndios não diminuam no país, apesar das medidas de prevenção adoptadas pelas autoridades.

Em 2019, os incêndios florestais destruíram mais de dez milhões de hectares, uma superfície equivalente a 1% de todas as zonas de bosque e floresta da Rússia.

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