BPI confirma recuo na distribuição de dividendos ao CaixaBank

“O BPI e o CaixaBank decidiram suspender a distribuição dos dividendos correspondentes ao exercício de 2019”, veio anunciar o banco chefiado por Pablo Forero

Banco Português de Investimento
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Miguel Manso

O BPI recuou na decisão de entregar ao seu accionista, o grupo espanhol CaixaBank, 117 milhões de euros de dividendos relativos ao exercício de 2019, acabando por seguir os outros concorrentes, e as recentes orientações do Banco de Portugal.

Tal como o PÚBLICO já avançara o BdP mantinha há duas semanas um braço de ferro com o BPI, que estava isolado na sua intenção de manter a distribuição de 117 milhões de lucros de 2019 pelo grupo espanhol CaixaBank, isto apesar das autoridades europeias terem recomendada à banca que não o fizesse. Posição que veio agora reverter.

“O BPI e o CaixaBank decidiram suspender a distribuição dos dividendos correspondentes ao exercício de 2019”, veio anunciar o banco chefiado por Pablo Forero. “Com esta suspensão, o Banco BPI reforça a sua capacidade para colocar à disposição da economia, das empresas e das famílias portuguesas os recursos necessários para responder aos exigentes desafios que se apresentam.”

No final de Março, a administração do BPI validou a proposta aprovada anteriormente pela comissão executiva de remunerar o seu accionista CaixaBank, o que gerou incómodo dentro do BdP, “ideia” que chegou a Pablo Forero a 3 de Abril. E isto, porque um dos impactos expectáveis da crise pandémica por covid-19 será um aumento acentuado do crédito mal parado, pelo que os bancos terão de reforçar os seus capitais para absorverem as potenciais perdas. 

Na edição de 4 de Abril, o PÚBLICO avançara já que, tendo em conta a degradação do actual quadro económico e financeiro (em Portugal, mas também em Espanha), o BdP entendia que o BPI não deveria remunerar o CaixaBank. O BPI veio agora recuar e informou que não irá distribuir 117 milhões de euros pelo espanhol CaixaBank, o equivalente a cerca de 36% dos lucros de 2019 (de 328 milhões de euros).

A “pressão” do BdP resulta do facto de o BPI ser uma instituição de direito português, e não uma sucursal do CaixaBank. Apesar da tutela do BPI (e do CaixaBank) caber ao Banco Central Europeu, no caso do banco português é partilhada com o BdP. Já a da CaixaBank é partilhada com o Banco de Espanha.

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