Com poluição a diminuir, muitos na Índia vêem picos dos Himalaias pela primeira vez

As fotografias são partilhadas nas redes sociais. Com perto de 1,4 mil milhões de habitantes na Índia impedidos de sair de casa desde dia 24 de Março, o Comité de Poluição Central da Índia (CPCI) revela uma “significativa melhoria na qualidade do ar”.

cadeia de montanhas
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Uma das imagens partilhadas na rede social Twitter DR

Na província de Punjab, na Índia, são muitos os que dizem que conseguem a ver os picos da cordilheira dos Himalaias, a centenas de quilómetros de distância, pela primeira vez em anos devido à redução dos níveis de poluição. As fotografias são partilhadas nas redes sociais, numa tentativa de destacar benefícios inesperados das medidas de contenção que estão a ter um impacto devastador na economia do país e do mundo. Muitos não sabiam que era possível ver o topo da cadeia montanhosa das suas janelas. 

“Jamais poderia imaginar que isso seria possível. É uma indicação clara do impacto que a poluição causou no Planeta Terra”, escreveu o jogador de cricket Harbhajan Singh ao partilhar uma imagem da vista da sua casa no Twitter.

Com perto de 1,4 mil milhões de habitantes na Índia impedidos de sair de casa desde dia 24 de Março, o Comité de Poluição Central da Índia (CPCI) revela uma “significativa melhoria na qualidade do ar”, embora seja impossível aferir, para já, o seu impacto na visibilidade dos Himalaias.

 “Como resultado das restrições rigorosas a viagens, e do encerramento de actividades não essenciais, incluindo as de sectores que contribuem para a poluição atmosférica, foi observada uma melhoria da qualidade do ar em muitas cidades do país”, lê-se num relatório publicado pelo CPCI a 31 de Março.

Ao todo, uma semana depois do começo das medidas de contenção, 85 cidades na Índia já registavam menores níveis de poluição.

Nova Deli, que foi descrita pelo Supremo Tribunal indiano como uma “câmara de gás” ao ar livre em 2019, verificou uma redução de 44% dos níveis de partículas finas em suspensão (PM10) nos primeiros dias após o começo das restrições à circulação. Ainda assim, o CPCI nota que “o impacto positivo na qualidade do ar não foi observado significativamente em cidades industriais.”

PÚBLICO -
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A India Gate, em Deli, num dia de forte smog ADNAN ABIDI/REUTERS

Numa entrevista à estação de rádio SBS Hindi, Balbir Singh Seechewa, um sikh que está a alertar para os problemas da poluição no país há mais de 30 anos, diz que “nunca viu nada do género nos últimos tempos”. “E não é só isso, há estrelas visíveis durante a noite.”

Não é só na Índia que se vêem melhorias ao nível da poluição. Em Portugal, por exemplo, a paragem causada pela pandemia da covid-19 reduziu as emissões de dióxido de azoto. Em Lisboa, a redução atingiu os 80%, com alguns locais do Porto a registar mudanças na ordem dos 60%.

Mas apesar dos benefícios para o ambiente, as medidas de contenção estão a comprometer o sustento de famílias que vivem perto dos Himalaias. Guias sherpas, no Nepal, que realizam visitas guiadas ao monte Evereste, na cordilheira dos Himalaias, estão sem trabalho desde o começo de Março. O mês de Abril costuma ser uma época popular para o turismo, mas desde 12 de Março de 2012 que o Nepal, entre a Índia e o Tibete, suspendeu todas as autorizações para expedições ao topo. 

Foram registados mais de 6000 casos de covid-19 na Índia desde o início da pandemia, com o número de mortes a aproximar-se das 200. No Nepal, foram registados 9 casos.

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