Morreram 380 pessoas de covid-19 em Portugal. Há 13.141 infectados

Estão internadas 1211 pessoas nos hospitais portugueses e 245 pessoas estão nos cuidados intensivos. Desde o início da pandemia, já 196 pessoas foram dadas como curadas, depois de terem tido dois testes negativos.

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Reuters/RAFAEL MARCHANTE

Desde o início do surto em Portugal, já morreram 380 pessoas com a covid-19, 35 só nas últimas 24 horas, o que equivale a uma subida de 10,1%. Há 13.141 pessoas doentes, — 699 desses casos foram identificados nas últimas 24 horas —, o que corresponde a uma taxa de crescimento de 5,6%, de acordo com os dados do boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS), actualizado esta quarta-feira.

Estão internadas 1211 pessoas nos hospitais portugueses, mais 31 do que ontem, e 245 pessoas estão nos cuidados intensivos, menos 26 em 24 horas. É a primeira vez que este número baixa desde o início da pandemia. Na terça-feira, soube-se que a larga maioria dos doentes (86,3%) continua a recuperar em casa.

Desde o início da pandemia, já 196 pessoas foram dadas como curadas, depois de terem tido dois testes negativos. São mais 12 pessoas do que na terça-feira, um crescimento de 6,5%.

Norte continua a registar mais casos e mortes

Como já acontece há algumas semanas, a região Norte continua a ser a que mais casos positivos e mais mortos soma em todo o país: esta quarta-feira eram 7386 positivos e 208 mortos. Mas, olhando para os dados por concelho disponibilizados pela DGS, é o concelho de Lisboa que continua a concentrar o maior número de casos (773), seguido do do Porto (750), do de Vila Nova de Gaia (576) e do de Gondomar (556) — uma lista que quase não tem sofrido alterações nos últimos dias.

Estes números podem, no entanto, ser superiores aos que constam no boletim. De acordo com a DGS, os números são do sistema SINAVE (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica), que corresponde a 78% dos casos confirmados.

Na conferência de imprensa de actualização dos dados epidemiológicos, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou que a densidade e a concentração de idosos explicam o número de casos: “No Norte há determinadas zonas onde a necessidade de meios e testes é maior, mas estamos atentos”, diz. 

Quando às vítimas mortais, a maioria (cerca de 96%) continua a ter mais do que 70 anos. De acordo com os números apresentados esta quarta-feira pelo secretário de Estado da Saúde, a taxa de letalidade da doença é 2,9% globalmente (contando com todas as idades), tendo aumentado 0,1% face aos dados apresentados no dia anterior e 10,5% junto das pessoas acima dos 70 anos de idade (um aumento de 0,8%).

Curva epidemiológica “estável”

Em conferência de imprensa, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitiu que a curva epidemiológica está a estabilizar. “O que sabemos à data é que nos últimos dias tem havido uma estabilidade na curva real e na projectada"— tal como o PÚBLICO noticiou esta terça-feira.

Apesar disso, não se deve baixar a guarda. Afinal, este “não é um dado garantido” e “se abrandarmos determinadas medidas podemos ter um segundo pico ou segundo planalto”. Sem cautela, a curva “pode voltar a subir”.

“Apesar de tudo, reconhecemos que tem havido estabilidade”, afirmou Graça Freitas.

Distribuídos mais 144 ventiladores

Portugal é um país com carências ao nível do equipamento médico, admitiu João Gouveia, presidente da comissão de acompanhamento da resposta à pandemia, na mesma conferência de imprensa. "Não há medicina intensiva sem equipamento, mas também não há sem recursos humanos. Temos uma carência crónica de ventiladores, de monitores e de camas de medicina intensiva nível 3”, reconhece.

“Temos conseguido obter esse material e estamos a fazer a sua distribuição de acordo com critérios efectivos de segurança e exigência”, acrescentou. “Foram já distribuídos os 144 ventiladores que chegaram a Portugal, que foram entregues em determinados hospitais, por vontade expressa dos doadores”, explica. Os restantes ventiladores foram entregues segundo critérios estabelecidos pela comissão, diz.

“Estamos a dotar o país com meios nos locais onde são mais necessários, assim que é possível”, garante.

Portugal está em estado de emergência desde dia 18 de Março devido à pandemia de covid-19 – uma medida prolongada na passada quinta-feira até 17 de Abril. Este estado pode sofrer novos prolongamentos e espera-se que isso aconteça, pelo menos, até que a doença seja dada como dominada em Portugal.

Em todo o mundo, há mais de 1,4 milhões de casos positivos desde que a doença foi identificada, em Dezembro, em Wuhan, na China. A covid-19 já matou mais de 84 mil pessoas, mas já 301.417 pessoas conseguiram recuperar, em todo o mundo.