Covid-19: Cidade do Equador enterra mortos em caixões de papelão

Guayaquil é a cidade do Equador com mais infecções por covid-19. As mortes são tantas que faltam caixões de madeira.

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Caixões de cartão canelado contribuirão para dar "uma sepultura digna às pessoas falecidas durante a emergência sanitária" epa/Alcaldia Guayaquil

As autoridades de Guayaquil​, a cidade do Equador com mais infecções por covid-19, disponibilizaram este domingo centenas de caixões de cartão canelado, “para que as vítimas mortais desta doença possam ser enterradas com dignidade”.

“Agradecemos à Associação dos Papeleiros pela sua primeira contribuição com 200 caixões de papelão”, publicou o município na sua conta de Twitter, estimando que venham a ser necessários 2000 caixões de cartão canelado para proporcionar “um funeral digno” a todas as vítimas mortais da pandemia.

Em comunicado, a Câmara Municipal de Guayaquil destaca o “gesto solidário”, acrescentando que os caixões de cartão canelado contribuirão para dar “uma sepultura digna às pessoas falecidas durante a emergência sanitária”. Os caixões serão distribuídos pelos dois principais cemitérios da cidade e pelas forças policiais.

A província em que se situa Guayaquil regista 1.648 dos 3.465 casos de contaminação no Equador. O número de vítimas mortais em Guayaquil é de 122. Nos últimos dias, familiares das vítimas mortais têm-se queixado publicamente da dificuldade em conseguir caixões tradicionais de madeira.

Corpos abandonados em casas e nas ruas por falta de caixões, serviços de Saúde sem resposta, crematórios que cobram preços demasiado altos para os cidadãos comuns estão a transformar a cidade de Guayaquil num ponto negro da pandemia de covid-19. Os bairros pobres, parte significativa de Guayaquil, não têm acesso aos cuidados de saúde (nem estes estão a conseguir responder) e as casas mortuárias recusam-se a recolher os mortos por receio de contágio. 

Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto de covid-19 espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com cerca de mais de 627 mil infectados e mais de 46 mil mortos, é aquele onde se regista o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, mais de 15 mil óbitos em quase 125 mil casos confirmados.

Em Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de Março, o último balanço da Direcção-Geral da Saúde indicava 10.524 infecções confirmadas. Desse universo de doentes, 266 morreram, 1.075 estão internados em hospitais, 75 recuperaram e os restantes convalescem em casa ou noutras instituições.